Opiniões

A quarta geração da certificação agrícola.

Por Luís Fernando Guedes Pinto - Publicado pelo Portal Terra Sustentabilidade em setembro de 2012.

Começou neste mês o quarto ciclo de certificação agrícola da Daterra Atividades Rurais sob o sistema da Rede de Agricultura Sustentável (Rainforest Alliance Certified). A primeira certificação ocorreu em 2003, sendo que cada ciclo dura três anos, iniciado por uma auditoria completa, seguida de duas auditorias de monitoramento anual. O empreendimento pioneiro deste sistema no Brasil produz café e se localiza em Patrocínio, no Cerrado mineiro. É um projeto moderno de produção de café em grande escala, que desde a sua origem procura combinar produtividade, qualidade e sustentabilidade.


A Daterra ocupa 6.650 hectares, com 3.450 hectares (ha) dedicados exclusivamente à conservação, entre APPs, reservas legais e outras áreas naturais, que representam mais de 50% da área total do projeto. O valor supera os requisitos mais exigentes de qualquer versão do Código Florestal.

A fazenda controla o uso da água na irrigação e no beneficiamento do café, faz um manejo integrado de pragas e doenças, tem experimentos com adubação orgânica e arborização do cafezal, entre outras boas práticas de produção.

Mesmo com a colheita mecanizada, emprega mais de 350 funcionários fixos, além dos safristas temporários. Todos com garantia de moradia, acesso à alimentação, educação e serviços básicos de saúde. Mesmo com consistentes valores e práticas de sustentabilidade, a certificação independente tem sido um instrumento que tem influenciado na gestão e na melhoria contínua do desempenho socioambiental e agronômico da Daterra.

Neste contexto, a empresa também foi pioneira no Brasil a ser verificada pelo Módulo Clima, da Rede de Agricultura Sustentável. O módulo avalia a propriedade, seu sistema de gestão e práticas produtivas e de conservação frente a critérios referentes à mitigação e adaptação a mudanças climáticas.

A verificação não gera créditos de carbono, mas visa despertar os produtores para a questão do clima e reconhecer aqueles que saíram na frente ao incorporar a dimensão em seus negócios no campo. Com todas estas possibilidades, o mundo da certificação também precisa mudar para atender à realidade de empreendimentos líderes como a DaTerra, que possui mais de quatro certificações diferentes.

O processo implica adaptar documentos para cada um destes sistemas, receber e pagar por diversas auditorias por ano. Além disso, permanece o desafio de aumentar o acesso da certificação a produtores médios e agricultores familiares. A certificação em grupo tem diminuído as assimetrias, mas são necessários outros instrumentos para um acesso em maior escala.

As melhorias estão no radar do mundo da certificação socioambiental, que está prestes a completar dez anos na agropecuária brasileira, a partir do caso de sucesso da Daterra.

Hoje são dezenas de outros empreendimentos no campo avaliados pela Rede de Agricultura Sustentável, não somente de café, mas dos setores de laranja, cana, cacau, uva, outras frutas e, mais recentemente, da pecuária. Eles se somam a diversos empreendimentos destas cadeias produtivas, que precisam ter a certificação de rastreabilidade para chegar aos consumidores finais. Estes ainda estão majoritariamente fora do Brasil, na Europa, no Japão, na Austrália e nos Estados Unidos, mas aos poucos aumentam a sua importância no mercado nacional.

Como tenho escrito recorrentemente, para uma maior efetividade da certificação para alavancar mudanças no campo, também é necessária maior educação de consumidores corporativos (incluindo o varejo) e individuais, claras políticas públicas de incentivo à adequação socioambiental e diretamente à certificação e uma pujante sociedade civil, que participe do processo e monitore a sua implementação.

Finalmente, precisamos de maior envolvimento dos ensinos médio e superior na formação de profissionais que possam se envolver na implementação e na crítica da certificação e de pesquisadores que respondam às perguntas que existem sobre os seus resultados e impactos nas dimensões econômica, social e ambiental.
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Luís Fernando Guedes Pinto possui graduação em Agronomia e doutorado em Fitotecnia (Esalq) e faz parte da equipe do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

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A Rio+20, agora é que começa.

Por Plínio Ribeiro - agosto de 2012

Pouco menos de um mês desde o encerramento oficial da Rio+20, apelido da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, o sentimento que fica para quem acompanhou as manchetes dos principais jornais e revistas do país é de pura desilusão.


- “Conferência da ONU termina com acordo criticado e deixa para mais adiante definições  cruciais para o futuro do planeta” (O Globo, 23/06/12)
 “Documento fraco e decepção marcam último dia da Rio+20” (O Estado de S. Paulo, 23/06/12)
 “A previsível frustração com os resultados da Rio+20” (Valor, 27/06/12)
 “O futuro a Deus pertence” (Carta Capital, 04/07/12)


O sentimento seria diferente a partir de uma análise mais qualificada e menos sensacionalista do que realmente estava e, principalmente, não estava em jogo nesse grande encontro planetário ocorrido no Rio de Janeiro recentemente. Saiba o que estava e o que não estava em jogo, acessando à análise de Plinio Ribeiro, da Biofílica.

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