segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pecuarista faz adequações socioambientais e conquista selo verde em pleno bioma Amazônia



Na contramão do setor, a Fazendas São Marcelo, que reúne quatro propriedades rurais do grupo JD, investe em adequações socioambientais e é a primeira no mundo a receber a certificação da Rede de Agricultura Sustentável para a pecuária. Com 31 mil hectares, sendo parte no bioma Amazônia e outra no cerrado, com um abate anual de 35 mil bois, a São Marcelo fornece carne para grandes frigoríficos, como Brasil Foods e Marfrig. A conquista da certificação socioambiental rompe o padrão que vem caracterizando o setor como o maior emissor de gases de efeito estufa e um dos grandes responsáveis pelo desmatamento das florestas tropicais.

 “Queremos mostrar que é possível produzir de forma correta no bioma Amazônia”, diz o diretor-geral do grupo Arnaldo Eijsink, que passou cerca de dois anos fazendo as adaptações necessárias aos mais de 100 requisitos exigidos pela certificação. A redução dos agrotóxicos é uma delas, que já permitiu a volta das garças à fazenda, por sua vez, predadoras naturais dos carrapatos. O empresário destaca ainda os ganhos de produtividade resultantes das medidas de bem-estar animal, que resultam em maior aproveitamento da carne. E ressalta a ausência de rotatividade de mão de obra, que está escassa, a partir do aumento dos benefícios sociais aos trabalhadores dos empreendimentos.

Mercado - Por enquanto, sem um comprador garantido para a carne, mas confirmando sondagens de restaurantes e de empresas interessadas no couro produzido de forma responsável, Arnaldo Eijsink acredita que ganhar mercado é apenas uma questão de tempo: “também produzo uvas e quando conquistei a certificação da Rede de Agricultura Sustentável não tinha colocação para elas. Em menos de duas semanas coloquei meu produto na Whole Foods americana, que é rigorosíssima com seus fornecedores. Com a carne vai ser a mesma coisa”, relata, lembrando que do boi derivam cerca de 260 subprodutos. Ainda assim, o empresário planeja um aumento de 10% na produção para esse ano ainda.

“É a primeira vez que um pecuarista toma a dianteira e implanta práticas sustentáveis de forma voluntária”, afirma Maurício Voivodic, secretário-executivo do Imaflora. “Esperamos que a iniciativa estimule outros produtores do setor”, diz. O Imaflora foi o organismo responsável pela auditoria da São Marcelo e foi forte protagonista brasileiro da certificação para pecuária da Rede de Agricultura Sustentável: colaborou para a construção na norma, conduziu as audiências públicas para a discussão das sugestões dos vários setores envolvidos e ainda aplicou os testes em campo.

A engenheira- agrônoma Daniella Macedo, que liderou a equipe de auditores na fazenda, destaca os seguintes pontos como diferenciais do empreendimento:

  •  Possui duas Reservas Particulares de Patrimônio Natural.
  • Possui um termo de cooperação técnica com o Ibama do Mato Grosso para a recuperação e posterior soltura de animais apreendidos.
  • Promove cursos de artesanato para as mulheres dos funcionários das fazendas, de maneira a que possam complementar a renda familiar.
  • Promove cursos de aperfeiçoamento e reciclagem para os funcionários.
  • Observa as regras do bem -estar animal.


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