segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Cresce preocupação com mudanças climáticas entre os produtores rurais.

Os desavisados irão se surpreender: os 400 quilômetros que ligam a cidade de Foz do Iguaçu, no Sul do Brasil, à província de Misiones, na Argentina, são ligados pelos maiores fragmentos de Mata Atlântica existentes atualmente, com forte presença de espécies ameaçadas, como as araucárias e as onças-pintadas, que do outro lado da fronteira são conhecidas por jaguaretés. A paisagem continua com uma vegetação densa, ribeirões e cascatas até o município de Oberá, grande região produtora de chá.


É de lá, onde os agricultores enfrentam uma forte seca fora de época, que vem a mais recente conquista da declaração Amigos do Clima emitida pela Rainforest Alliance. Quem recebeu foi a empresa Las Treinta, que reúne 40 pequenas propriedades, produtoras de chá, numa área que totaliza 1.040 hectares, além de146 hectares de áreas de conservação. 

A empresa argentina já é certificada pela Rede de Agricultura Sustentável (Rainforest Alliance Certified) e faz parte de um movimento que desponta como tendência nos países de economias fortemente agrícolas, nas Américas Central e do Sul: a adequação da propriedade a práticas de produção que emitam o mínimo possível de gases que provocam o efeito estufa e contribuam para reduzir eventuais impactos de mudanças climáticas.

O engenheiro-agrônomo Pedro Ronca, que verificou o empreendimento representando o Imaflora, conta que, entre outras medidas, a Las Treinta, adotou o plantio de linhas de árvores entre as fileiras de chá com o objetivo de amenizar a temperatura, diminuir a perda de água nas plantas e colaborar com o controle de pragas. Outra medida adotada no empreendimento foi a aplicação controlada de adubos nitrogenados, prática que colabora com as diminuições das emissões de gases, identificada como a principal fonte emissora na agricultura atualmente. Além dessas, foram feitas outras adequações como o uso controlado de energia dentro da propriedade, a eliminação do uso de fogo e a redução do uso de combustíveis fósseis.

O Imaflora confirma o crescimento de consultas sobre o tema. Fazendas que já possuem a certificação da Rede de Agricultura Sustentável têm procurado informações sobre o módulo clima e buscam incrementar suas práticas.

A engenheira agrônoma do Imaflora, Marina Piatto, que acaba de concluir um curso na Universidade da Califórnia sobre os impactos da agricultura nas mudanças climáticas e cadeias de suprimentos, observa que “atualmente as grandes corporações que dependem de matérias primas agrícolas têm se preocupado com a vulnerabilidade do fornecimento desses insumos no longo prazo”. Hipoteticamente, explica, em razão dos possíveis efeitos das mudanças climáticas, pode haver uma migração das áreas de cultivo ou diminuição da produtividade, comprometendo o mercado global da indústria de alimentos. Para ela, os empreendimentos agrícolas que buscam adequar suas práticas a essa modalidade, se antecipam a uma demanda de mercado para atender melhor seus fornecedores. 


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