quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Intercâmbio deve aumentar a produtividade do cacau nas lavouras familiares, em São Félix do Xingu

Um grupo formado por 33 produtores familiares de cacau, da cidade de São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, e Boca do Acre, no Amazonas passou uma semana na região do Sul da Bahia, conhecendo diversas técnicas do cultivo e pós colheita do fruto, em propriedades com tamanhos e características diferentes. Produtores do município baiano de Gandu acompanharam as atividades.

A iniciativa desse intercâmbio foi do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora, que desenvolve em São Félix do Xingu um trabalho de geração de renda aliado à recuperação de áreas degradadas, a partir de práticas sustentáveis no campo. O município luta para sair da lista dos maiores desmatadores do país e boa parte da atividade econômica local é baseada na pecuária. O uso dessas extensões de terra para o plantio do cacau, em consórcio com outros cultivos, quando possível, faz parte da estratégia do Instituto.

Durante a semana em que estiveram na região de Ilhéus, os produtores conheceram as técnicas de plantio utilizadas em um assentamento rural, em uma grande propriedade que possui certificação socioambiental, visitaram uma indústria moageira multinacional, para a qual vendem a maior parte da sua produção, conheceram as instalações e pesquisas da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e, por fim, uma fazenda que reúne toda a cadeia do cacau, do plantio à fabricação do chocolate fino, com técnicas apuradas de produção. “Pensamos em um roteiro diversificado para inspirá-los a produzir um cacau diferenciado”, diz Matheus Couto, engenheiro- florestal do Imaflora, coordenador do projeto.

Técnicas - O produtor Derli Leonel Barella, de São Felix do Xingu, possui 7 mil pés de cacau e algumas cabeças de gado leiteiro, lembra que a rentabilidade do fruto por hectare é bem superior à da criação do animal e que o rebaixamento da altura dos pés para controle de uma eventual praga, como a vassoura de bruxa, poderia ser uma medida facilmente adotada por ele e seus colegas, sem custo, apenas com o domínio da técnica de poda.

Na mesma linha, Wilson Martins, secretário da Cooperativa alternativa dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos (Cappru) e produtor, cita os ganhos com o aprendizado da técnica da clonagem do cacau como uma medida que pode ser replicada entre os produtores associados, que traria aumento de produtividade: “esse melhoramento genético pode ser introduzido já em grande parte das propriedades. Isso pode contribuir para a seleção dos frutos e para a busca de variedades com mais qualidade”.

A clonagem, obtida por meio de enxertia, bastante comum na Bahia, era desconhecida dos produtores de São Félix do Xingu, na opinião de Amanda Souto, engenheira-agrônoma do Imaflora “vem a calhar, quando o assunto envolve a renovação da lavoura com a possibilidade de escolha de variedades mais produtivas”.   

Favorecida pelo clima, que permite a secagem das amêndoas sem fogo, portanto, sem a interferência da fumaça no processo, a região de São Félix do Xingu tem, na avaliação dos técnicos do Imaflora, potencial para a produção de matéria prima para chocolates finos. A Cappru e o Imaflora já trabalham nessa direção junto a um grupo piloto de 33 produtores familiares, que adotam boas práticas de cultivo, aprimorando a qualidade do produto.


A equipe do Imaflora agradece o apoio do Instituto Cabruca de Ilhéus, da Ceplac, da Fazenda M. Líbano Agrícola S.A, da Fazenda Riachuelo, do Assentamento Terra a Vista, da Delfi Cocoa e do Fundo Vale, que possibilitou a realização desse intercâmbio. 


 

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