quarta-feira, 10 de julho de 2013

Já está nas gôndolas



 A carne, certificada pelo IMAFLORA a partir dos critérios socioambientais da Rede de Agricultura Sustentável, já está ao alcance do consumidor. Treze lojas da rede Carrefour, na cidade de São Paulo, já estão comercializando o produto, identificado pelo selo Rainforest Alliance Certified™ na embalagem. A intenção do grupo varejista é ampliar a distribuição para algumas cidades do interior do estado em alguns meses, e gradativamente, estende-la a outras regiões do País.

São oito cortes com o selo, que atesta se tratar de um produto originado em fazendas que seguem rigorosas normas internacionais de conservação ambiental, de respeito aos trabalhadores, às comunidades locais e às regras de bem-estar animal.

As peças também carregam o código de barras QR (Quick Response), que pode ser escaneado por telefones celulares e fornece uma série de informações sobre aquele produto ao consumidor, como a fazenda de origem, as certificações que a propriedade possui, a data de produção, o frigorífico no qual a carne foi processada, o número de inspeção, para citar algumas delas.  

A chegada da carne certificada às gôndolas reuniu os representantes da cadeia produtiva, que comemoraram a data com a assinatura de uma carta de intenções, na qual o Carrefour, Marfrig, Grupo JD e o IMAFLORA – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola reafirmam o compromisso de garantir produtos cujo processo seja inteiramente rastreável em todas as etapas.  

“Com a entrega do primeiro lote de carne certificada ao Carrefour completamos o ciclo e levamos ao cliente final mais um produto diferenciado”, diz o CEO da Marfrig Beef, James Cruden. “Nossos esforços têm por objetivo criar um novo patamar mundial para a cadeia de fornecimento, comprometendo todos os elos com boas práticas socioambientais”, completa.    

Presente à cerimônia, Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra Amazônia Brasileira, destacou a iniciativa como o primeiro passo de um processo que considera irreversível.

Mercado – A pecuária brasileira ostenta números respeitáveis. De acordo com o site da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, o Brasil é o maior exportador mundial de carnes, além de ser o segundo maior produtor e também o segundo maior consumidor global de carne.  No entanto, produtos com a certificação socioambiental nesse segmento ainda representam uma fatia pequena do mercado.

Por enquanto, são dois empreendimentos auditados e certificados pelo IMAFLORA, as Fazendas São Marcelo, em Tangará da Serra e a Fazenda Água Sadia, localizada em Barra do Bugres, ambas no Mato Grosso. Segundo o pecuarista Arnaldo Eijsink, pioneiro na conquista do selo em todo o mundo, o reconhecimento do produto vem crescendo.

Nos últimos três anos, Eijsink elevou sua produção em 15% e tem expectativa de novo aumento. “Podemos oferecer um conceito de carne exatamente como os consumidores querem, com qualidade, sabor e a força da responsabilidade socioambiental”, diz ele.  Além da carne que fornece ao Carrefour, o couro foi comprado pela Gucci, para a confecção de uma linha de bolsas que inaugurou a participação da renomada grife italiana no Desafio Tapete Verde.

O diretor de sustentabilidade do Carrefour, Paulo Pianez, lembra que a rede lançou um programa contemplando as questões socioambientais e a garantia de origem de suas mercadorias em 1992.  E afirma que o consumidor é peça-chave para o sucesso desse tipo de programa: “Estamos trazendo às gôndolas esses conceitos, produtos responsáveis da produção ao processamento. Mas o consumidor precisa ter essa percepção”.

Aprovação - Os consumidores, que desconheciam os motivos da movimentação em torno das prateleiras de carne na loja da Imigrantes, receberam a novidade com entusiasmo: “A gente briga pelo clima, procura manter a natureza para as próximas gerações, tem que pensar no que compra”, diz Pietro Rigolio, radialista, que, no entanto, citou qualidade e preço como fatores decisivos em suas opções de consumo.

Para Eduardo Trevisan Gonçalves, secretário-executivo adjunto do Imaflora “O volume de carne certificada deve aumentar significativamente nos próximos anos, deixando a escala de nicho e facilitando o acesso dos consumidores a um produto sustentável, com preços competitivos. A certificação ganha força em um momento em que a indústria investe na definição de suas marcas e na qualidade da carne. Sustentabilidade e rastreabilidade são atributos indispensáveis para essa estratégia”. O Instituto, organização não governamental, sem fins lucrativos, foi fundado em 1995 e teve intensa participação na construção da norma para a certificação da pecuária. O Imaflora promoveu e conduziu as duas audiências públicas que ocorreram no Brasil, com a participação de todos os elos da cadeia da carne, para colher sugestões e críticas à versão prévia do protocolo; e foi também o responsável pelos testes práticos da Norma. 



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