quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Um alívio imediato para o clima

A boa nova foi dada em junho: o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida está diminuindo. A projeção é que esteja totalmente recuperada até 2065. A redução se deve ao Protocolo de Montreal, firmado por mais de 150 países em 1987. O acordo entrou em vigor em 1989 e foi revisto em 2007. É hora de dar o passo seguinte. O tema será discutido no encontro do G20, em Hangzhou, na China, e as conversas continuam em outubro, na reunião agendada para os signatários do tratado em Kigali, Ruanda. O Brasil pode ter um papel de liderança nessas negociações.

O Protocolo de Montreal previa a eliminação gradual do uso de cerca de cem substâncias usadas em equipamentos de refrigeração e frascos de aerossol, incluindo os famigerados CFCs (clorofluorcarbonetos). Além de reduzir o tamanho do buraco na camada de ozônio, o tratado teve outro efeito benéfico: reduziu 20 vezes mais as emissões de gases do efeito estufa do que o previsto pelo Protocolo de Quioto, firmado em 1997 e ratificado em 1999. Não à toa, é considerado o mais bem-sucedido acordo internacional para o meio ambiente da História.

Os gases utilizados atualmente em refrigeração, como o HFC (hidrofluorcarboneto), embora tenham se mostrado eficazes para a recuperação da camada de ozônio, apresentam um efeito colateral: contribuem para o aquecimento global. Por isso, hoje se debate a substituição destes por substâncias menos prejudiciais para o clima, como a amônia, o propano e o isobuteno.

Essa emenda ao Protocolo de Montreal, que será discutida em Hangzhou e poderá ser acordada em Kigali, representará um alívio imediato na temperatura global. Poderá reduzir em até 200 bilhões de toneladas as emissões de gases do efeito estufa até 2050, e esta redução poderá ser ainda maior caso se invista em tecnologias com maior eficiência energética. Isso representaria a diminuição de 0,5º C na temperatura média global até 2100, viabilizando as metas do Acordo de Paris (que limita em 2° C o aumento da temperatura do planeta). O resultado seria atingido mais rapidamente porque o HFC é um poluente de vida curta e se dissipa em pouco tempo.

O mercado brasileiro de aparelhos de ar condicionado, onde o HFC é mais usado, vem crescendo 20% ao ano. Esta substituição também pode ser uma oportunidade de investimento no desenvolvimento e na fabricação de equipamentos com maior eficiência energética. Com essa medida, o Brasil economizaria, até 2050, o equivalente à capacidade de geração de energia de 92 a 216 usinas de 500 MW. Vamos apertar o passo?

Para maiores informações, leia o relatório da organização Institute for Governance and Sustainable Development






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