quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Urina do boi em pastos degradados potencializa o aquecimento global

O trabalho científico que chega a essa conclusão foi realizado pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical, Imaflora e 13 organizações internacionais. Acaba de sair na Nature Scientific Reports, a mais respeitada revista científica.


Mais uma razão para evitar a degradação do solo. O estudo ”Adequate vegetative cover decreases nitrous oxide emissions from cattle urine deposited in grazed pastures under rainy season conditions“, (aqui, a íntegra) concluiu que a reação química do óxido nitroso (N2O), presente na urina do boi, em contato com o solo, é mais nocivo ao meio ambiente do que as emissões de dióxido de carbono (CO2), até então, considerado o “vilão” da agropecuária brasileira para o aquecimento global.

Realizado pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical, em Cali, Colômbia em parceria com o Imaflora, ONG brasileira, com sede em Piracicaba, SP, o estudo mostra que os efeitos nocivos da urina do boi em contato com o solo podem ser até 250 vezes mais potentes do que os do CO2. Para isso, foram coletadas amostras de urina de animais de cinco países da América Latina e Caribe (Brasil, Colômbia, Trinidad e Tobago, Argentina e Nicarágua). O líquido foi despejado em áreas de pastagens degradadas e em áreas bem manejadas, cujo o parâmetro foi o tamanho da cobertura vegetal. Em seis, dos sete locais de teste, as emissões produzidas nos pastos degradados foi até três vezes superior às emissões nas áreas bem manejadas.

“A produção de carne cresce exponencialmente quando se recupera um pasto degradado, situação que condiz com as necessidades de aumento desse produto e redução das emissões de GEE mundiais – e deveria assim, ser uma das bandeiras do agronegócio brasileiro e latino-americano”, comenta Ciniro Costa Júnior , pesquisador e coordenador de projetos em Clima e Cadeias Agropecuárias, do Imaflora, coautor do estudo.

O Brasil tem aproximadamente 40 milhões de hectares de pastagens degradadas e os estudiosos estimam que a América Latinha tenha cerca de 150 milhões de hectares nessas condições. Para Ciniro Costa Júnior e Ngoni Chirinda, do Centro Internacional de Agricultura Tropical, evitar a degradação do solo é uma medida estratégica para atingir as metas internacionais para minimizar as mudanças climáticas, incluindo a Iniciativa 20x20 ( que pretende recuperar  20 milhões de hectares de terras degradadas na América Latina até 2020) , além de favorecer a segurança alimentar, o trabalho dos agricultores e reduzir os gases que aumentam a temperatura na Terra.




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