terça-feira, 28 de junho de 2011

6ª Assembléia FSC - Notícias - 28/06 (parte II)

O real exercício do diálogo sobre florestas

Começa, em Kota Kinabalu, na Malásia, a 6ª Assembléia Geral do FSC. Evento que ocorre a cada três anos, é a instância máxima de decisão do principal sistema de certificação florestal do mundo, o FSC (Conselho de Manejo Florestal, na sigla em português). É na assembleia que os membros do FSC se reúnem para decidir os rumos do sistema, adaptando-o sempre que necessário aos crescentes desafios do setor florestal.

Apesar da distância – são 11 horas de diferença no fuso horário -, a singularidade e a importância deste evento não permitem que o mesmo passe despercebido no Brasil, onde a questão do uso sustentável de florestas é central em toda a discussão sobre o Código Florestal.

Na iminência de uma nova legislação menos restrita em termos de proteção ambiental, a sociedade passa a ter um papel importante em sinalizar ao setor produtivo sobre qual o tipo de impacto ambiental que (não) quer ver nos produtos que consumimos diariamente (móveis, cosméticos, alimentos etc.).
E isso é exatamente do que se trata a assembleia-geral do FSC. Neste sistema, é a sociedade que decide quais devem ser os critérios de produção a serem adotados pelo setor florestal, considerando a legislação local, mas não se limitando a ela. As decisões são tomadas em um sistema democrático que busca um equilíbrio entre os interesses de produtores florestais, compradores de produtos florestais, ONGs ambientalistas, sindicatos de trabalhadores e representantes de povos indígenas e comunidades locais.

Aqui, na Malásia, cerca de 400 membros do FSC, distribuídos entre estes diversos grupos de interesse, têm a missão de analisar, discutir e decidir sobre propostas de alterações no sistema FSC. Para que as decisões possam ser tomadas é necessário alcançar um consenso entre os grupos ambiental, social e econômico. Para isso, o exercício da negociação e do diálogo é determinante, colocando todos em uma necessária pré-disposição a entender e conciliar as demandas dos demais.

O setor florestal brasileiro já percebeu a importância deste fórum de discussões, reconhecendo que as decisões aqui tomadas afetarão os critérios de certificação e, portanto, os procedimentos de produção florestal adotados por empresas e comunidades certificadas pelo FSC.

A delegação brasileira é grande – uma das maiores da assembléia deste ano –, composta principalmente por representantes de empresas florestais, mas também com representantes de ONGs e movimentos sociais. Será uma semana intensa de negociações que deve avançar noites adentro para que, ao chegarmos ao decisivo momento de votação nos últimos dois dias da assembléia, os membros possam ter alcançado o consenso e se possa decidir por aquilo que contemple os interesses dos diferentes grupos de interesse aqui representados.

Ao final, o principal ganhador deste processo são as florestas, que contam com um sistema de certificação que, diferente das recentes negociações do código florestal, busca soluções por meio do diálogo e acordo entre diversos grupos afetados.

Maurício de Almeida Voivodic é engenheiro florestal, mestre em ciência ambiental pela Universidade de São Paulo e secretário-executivo do Imaflora. Participa pela terceira vez de uma assembleia-geral do FSC, onde procura direcionar o sistema para que seja melhor aplicável á realidade brasileira.

Fonte: Sociedade Sustentável

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