segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

8º Radar Imaflora: Fazenda brasileira é primeira da América do Sul a se adaptar às mudanças climáticas, com reconhecimento da Rede de Agricultura Sustentável


A fazenda Daterra, localizada em Patrocínio, interior de Minas Gerais, é a primeira da América do Sul a ser considerada "amiga do clima" pela Rede de Agricultura Sustentável (RAS). O empreendimento atendeu ao novo conjunto de exigências formuladas pela RAS para fazendas já certificadas, e adaptou-se às normas do Módulo Clima voltadas para minimizar os efeitos das mudanças climáticas.

"Agora, temos uma importante ferramenta para os produtores agrícolas demonstrarem seu comprometimento com a sustentabilidade e com a agricultura de baixo carbono", comemora Mauricio Voivodic, secretário-executivo do Imaflora, única instituição no Brasil autorizada a fazer a verificação do Módulo. "Reduzir as emissões da agricultura é fundamental para revertermos as tendências das mudanças climáticas", lembra ele.

O Módulo traz um conjunto de exigências elaboradas com o objetivo de minimizar os impactos que as atividades agropecuárias podem provocar sobre as condições atmosféricas; ajudar os agricultores e comunidades a tomarem medidas que possam reduzir esses efeitos, além de promover práticas de gestão amigáveis com o clima. A meta é a redução da emissão dos gases de efeito estufa, que devem ser identificados, quantificados e reduzidos em todas as etapas da produção.

Requisitos - Entre os compromissos que o empreendimento deve assumir e comprovar perante os auditores, além da certificação socioambiental para a agricultura, estão os seguintes pontos:

·         Aumento da cobertura vegetal para prevenir a erosão e manter o estoque de carbono do solo.
·         Aumento do plantio de árvores para conservar a umidade da terra.
·         Restauração das áreas degradadas.
·         Capacitação dos funcionários e da comunidade para que possam agir em situações de emergência.
·         Adaptação da propriedade para situações de escassez de água, por exemplo, usando plantio em curva de nível, de maneira a favorecer a retenção de águas nas bacias.
·         Redução do uso de fertilizantes nitrogenados, de forma gradual.
·         Dar preferência à geração de energia produzida por biomassa.
·         Dar preferência aos fornecedores da cadeia que estejam comprometidos com a redução de emissão de gases de efeito estufa.

"As fazendas também devem ter uma avaliação de seus riscos climáticos e serem capazes de estabelecer estratégias de adaptação a eles, como, por exemplo, redução no volume das chuvas, possibilidade de geadas, aumento de incêndios provocados por queimadas, são algumas das possibilidades", explica Daniella Macedo, engenheira- agrônoma do Imaflora, que participou da equipe de profissionais que auditaram a Daterra.
Adaptações - O responsável pelas adaptações na fazenda, que é produtora de café, Leopoldo Santana, conta que os fertilizantes nitrogenados foram identificados como os maiores causadores de gases de efeito estufa. Para minimizar os efeitos nocivos que produzem no meio ambiente, a primeira providência foi substituí-los por outros, menos agressivos. E, ao aplicá-los, a fazenda passou a cobrir o solo com um forro vegetal (como folhas, por exemplo) para diminuir a volatilidade do produto na atmosfera.

Outra mudança importante implantada foi o tratamento da água do beneficiamento do café para sua reutilização e a instalação da caldeira para a secagem do café, já que o uso reduzido de lenha gera impacto menor para o meio ambiente. "Racionalizamos o uso de máquinas e reduzimos muito o consumo de diesel", diz ele. "Aqui, todos os resíduos são medidos ou pesados", afirma Leopoldo.

A íntegra do Módulo pode ser conhecida clicando aqui.

Confira a versão digital aqui.

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