quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Melhoria contínua não pode parar

Por Alessandro Rodrigues e Luis Fernando Guedes Pinto

O título é óbvio e redundante, mas na prática, não é bem assim. Sistemas de gestão permanentes deveriam ser rotina de quaisquer empreendimentos que pretendem garantir um desempenho e qualidade, seja na produção, na conservação ambiental ou no que se refere ao componente social.

Os programas de certificação socioambiental costumam exigir um sistema de gestão socioambiental de empreendimentos certificados. Uma forma de conferir se esses sistemas realmente fazem parte do dia-a-dia de uma empresa ou fazenda certificadas é a realização de auditorias surpresa, além das rotineiras. Esta prática é obrigatória no programa da Rede de Agricultura Sustentável (RAS) / Rainforest Alliance Certified.

O Imaflora é certificador deste programa e suas auditorias não programadas ocorrem em pelo menos 3% dos empreendimentos certificados uma vez ao ano, desde 2009. Os empreendimentos a serem auditados são definidos pelos coordenadores de certificação, após uma análise de risco baseada no histórico e no desempenho das fazendas nos últimos anos e reclamações/denúncias das partes interessadas e auditores, se for o caso.
Os empreendimentos definidos para serem auditados são avisados da visita com no máximo dois dias de antecedência. Desde 2009, temos priorizado verificar os aspectos sociais da norma da RAS em fazendas em que não foi possível realizar as auditorias anteriores no período da safra. Nessa época, as fazendas recebem um grande número de trabalhadores temporários e é muito importante garantir que a norma garanta a eles os mesmos direitos e condições de trabalho, moradia e segurança dos trabalhadores permanentes.

Neste ano, as auditorias não programadas ocorreram entre 17 e 21 de setembro, em quatro fazendas da região do Cerrado mineiro, sendo uma pertencente a um grupo de fazendas certificadas conjuntamente. Uma das fazendas selecionadas resistiu fortemente a receber a equipe de auditores. Todavia, de acordo com a política de certificação de fazendas da RAS, a recusa pode levar ao cancelamento da certificação. Foi necessária uma longa negociação para confirmar a atividade no campo.

Outro resultado desagradável foi o cancelamento da certificação de uma fazenda, devido ao não cumprimento de um critério crítico relacionado à falta de documentos de contratação de jovens entre 16 e 18 anos. Outras duas fazendas diminuíram seu nível de cumprimento, devido ao aparecimento de novas não conformidades. Porém, uma das fazendas conseguiu aumentar seu nível de cumprimento em relação à sua auditoria anterior.

O resultado deste processo é positivo e evidenciou a diferença de comportamento e resultado quando há (ou não) comprometimento e incorporação da certificação como ferramenta de gestão e melhoria contínua. Voltando ao início, o desafio da certificação começa quando o empreendimento a conquista. Achar que passar no vestibular é garantir o diploma de formatura é um grande engano. E, para quem lida com sustentabilidade, não acaba nunca.


Alessandro Rodrigues é engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e coordenador de Certificação do Imaflora; Luís Fernando Guedes Pinto é engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e gerente de Certificação do Imaflora.

Fonte: Sustentabilidade Terra

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