sexta-feira, 3 de maio de 2013

Estudo mostra potencial de crescimento do mercado

Leonardo Sobral e Patrícia Cota Gomes: setor pode crescer com o aumento na produção de florestas certificadas
O Brasil produz 600 mil metros cúbicos (m3) de madeira certificada por ano na Amazônia, cerca de 4% da produção brasileira. Esse volume, ainda modesto, pode saltar para 1 milhão de m3, o que representaria 6% a 7 % da produção total. A previsão faz parte de um estudo inédito sobre as dimensões do mercado de madeira certificada no país, elaborado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

O trabalho "Acertando o Alvo 3 - Desvendando o Mercado Brasileiro de Madeira Amazônica Certificada FSC" diz que o setor pode crescer por meio do aumento na produção das florestas certificadas atuais, e de empresas não certificadas, mas que querem buscar o selo para seu negócio. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) estima que o Brasil produza anualmente 14 milhões de m3 de toras. Pará e Amazonas respondem por 86% da produção de madeira certificada na Amazônia.
"Embora esse número seja tímido, conseguimos identificar um expressivo potencial de crescimento para os próximos dois anos", diz a engenheira florestal Patrícia Cota Gomes, coordenadora do estudo. "E estamos fazendo uma previsão conservadora."

Os 600 mil m3 de madeira certificada produzidos na Amazônia foram consumidos por 18 serrarias. Parte dessa produção, no entanto - 28% da madeira, ou 169 mil m3 -, não foi vendida como certificada, o que provocou a perda do selo de origem de toda a produção. "Queríamos entender por que isso acontece, e traçar estratégias para reverter esse quadro", diz Leonardo Sobral, gerente de certificação florestal do Imaflora e também coordenador do estudo. "Existe madeira certificada no mercado, que poderia ser comprada como tal", afirma.

Com a correção dessa distorção, o potencial de crescimento da produção certificada pode crescer, estimulada também pelo número crescente de empresas que se candidatam à concessão florestal. O uso comercial de florestas públicas por grupos privados é possível desde a promulgação da Lei de Gestão de Florestas Públicas, em 2006. "Essas empresas têm algum compromisso de sustentabilidade", diz Sobral.

A pesquisa do Imaflora indica que 70% da madeira certificada produzida no país é destinada à exportação, movimento oposto ao da madeira da Amazônia, que ruma principalmente para o mercado interno. No caso do produto certificado, dos 30% que ficam no Brasil, 14% são consumidos no Estado de São Paulo. O Nordeste aparece em segundo lugar.

Em 2011, os pesquisadores entrevistaram representantes de 16 empresas com áreas florestais certificadas FSC e de 50 indústrias e serrarias consumidoras de madeira amazônica, certificada ou não. Esse é o terceiro estudo de uma série que o Imaflora produziu sobre o mercado de madeira tropical brasileira. O primeiro, de 1999, (em parceria com o Imazon e Amigos da Terra - Amazônia Brasileira), analisou o destino da madeira amazônica. "Imaginava-se que tudo ia para exportação. Foi aí que percebemos que 86% da madeira ficava aqui", diz Sobral.

O segundo estudo, de 2002, analisou o que acontecia com a madeira em São Paulo, o principal centro consumidor. O diagnóstico foi feito em todos os municípios com mais de 100 mil habitantes. O principal mercado era o setor de construção civil horizontal. As madeiras mais procuradas eram cedrinho, jatobá, ipê e angelim.

No novo estudo, os pesquisadores fizeram um raio X da madeira certificada. "O produtor reclama que não há demanda suficiente e os compradores dizem que tentam comprar madeira certificada, mas não encontram", diz Sobral. "Queríamos entender esse nó."

"Existe demanda maior do que se imagina por esses produtos, que poderia ser atendida com o aumento das florestas", diz Patrícia. O crescimento da área de florestas certificadas tem sido limitado pela incerteza fundiária das terras da Amazônia. Para conseguir a certificação FSC, as empresas têm que estar em acordo com as regras ambientais, econômicas e sociais.

Existem 11 certificadoras FSC no Brasil. O Imaflora é a única ONG, as outras são empresas privadas. Segundo o boletim FSC de abril, a área total com certificação no Brasil é de 7,36 milhões de hectares. O Imaflora certificou 67% desses 7,36 milhões. Plantações florestais localizadas no Sul, Sudeste e Nordeste representam a maior parte.

A certificação de florestas naturais na Amazônia (1,26 milhão de hectares) evolui lentamente. O Brasil é o sexto país em área certificada. No mundo, desde 1993, há 150 milhões de hectares de florestas certificadas pelo FSC, que estão espalhadas por 80 países. (DC)

Fonte: Valor Econômico

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Confira o estudo na íntegra no site do Imaflora: http://www.imaflora.org/downloads/biblioteca/ebook_acertando_o_alvo_3.pdf

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