segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ministro defende manejo florestal, em visita à empresa certificada, na Amazônia

O Ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, reconheceu a importância do manejo para a conservação da floresta tropical, em visita a Mil Madeiras Preciosas, no último dia 8, em Itacoatiara, no Amazonas. Subsidiaria da suíça Precious Wood, a Mil Madeiras Preciosas foi a primeira empresa do setor florestal, na Amazônia, a conquistar a certificação FSC®, que atesta a origem da madeira e o emprego de boas práticas sociais e ambientais na floresta e seu entorno.

A presença do Ministro no município foi acompanhada por integrantes do Grupo de Trabalho de Economia da Floresta Tropical, da Coalizão Brasil, Clima, Floresta e Agricultura, que apresentou a ele três propostas básicas para estimular a economia de base florestal, e combater o desmatamento na Amazônia. O engenheiro florestal do IMAFLORA Leonardo Sobral, que integra o Grupo de Trabalho e participou do encontro, diz que a presença do Ministro em uma área de manejo florestal demonstra o interesse pela pauta.

RADAR - Qual a sua avaliação desse encontro?

Leonardo – Tivemos a oportunidade de mostrar ao Ministro uma área manejada desde 1996, que conserva a floresta, a biodiversidade, a flora, a fauna e, mais, que uma empresa do porte da Mil Madeiras, consegue operar bem dessa forma. A presença dele lá é uma forma de reconhecer e estimular os benefícios do manejo florestal responsável.

RADAR - A Coalizão Brasil, Clima, Floresta e Agricultura, que é um grupo multissetorial da sociedade civil, entregou algumas sugestões ao Ministro, entre elas a divulgação dos dados do Documento de Origem Florestal, o DOF. Por que essa é uma reivindicação importante?

Leonardo – Dar transparência aos dados do DOF é importante porque evidencia quem está trabalhando de forma legal e quem está extraindo a madeira ilegalmente e, portanto, desmatando. O objetivo é contribuir para o combate à competição desleal da madeira bem manejada com o corte ilegal e irresponsável.

Radar- E quais foram os outros pontos da pauta levados pela Coalizão?

Leonardo - Além da transparência nos dados do DOF, defendemos que as compras públicas que envolvem madeira – e o volume é enorme - tenham um mínimo de rastreabilidade da origem e, de preferência, tenham uma certificação de manejo florestal. Também sugerimos a formação de um Grupo de Trabalho Inter setorial, que reúna ONGs, sociedade civil, empresas privadas e governos, que estudem medidas de fomento ao manejo florestal sustentável e formas de coibir a ilegalidade de produtos florestais. Essas medidas já trariam mudanças muito benéficas para o setor.

Radar – E qual é o tamanho dessa economia?

Leonardo - São mais de 300 milhões de hectares de florestas tropicais, dos quais menos de 3 milhões são manejados de forma sustentável. É muito pouco, especialmente, se levarmos em conta a importância do combate ao desmatamento para os compromissos assumidos pelo Brasil no acordo climático global. De acordo com o Serviço Florestal Brasileiro, o País produz cerca de 13 milhões de m3 de madeira por ano, o que gera uma renda bruta anual de, aproximadamente R$ 4,3 bilhões. São cerca de 200 mil empregos diretos, o que responde por mais ou menos 2% da população economicamente ativa da região, segundo informações. O potencial de crescimento é grande e a nossa ação é na direção de que isso aconteça de forma sustentável, com a manutenção dos serviços ambientais, respeito aos direitos das populações tradicionais e com benefícios sociais para o entorno.


Confira um trecho da entrevista aqui.

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