terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ações do IMAFLORA vistas do alto



por Elisa Hardt

O IMAFLORA está investindo esforços em uma nova área na Instituição, a de Sistemas de Informação Geográfica - SIG.  A ideia é ampliar essa experiência entre os membros da equipe, e dessa forma amplificar a aplicabilidade da ferramenta, tanto nas práticas internas, quanto na avaliação do impacto das ações externas do IMAFLORA.

Já houve avanços importantes, como o mapeamento das localizações geográficas de todas as ações do Instituto, do Pará ao Rio Grande do Sul, incluindo as certificações de chá, na Argentina (Figura abaixo). 



O mapa das ações mostra grande concentração de projetos de desenvolvimento local em Unidades de Conservação, no Norte; certificação agrícola, principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo; e certificação florestal em todos os estados do sudeste, e em cidades do Norte e Nordeste. 

A atividade permitiu a composição de um banco de dados com diversas informações sobre os empreendimentos certificados e os projetos locais, como data de início e finalização das ações, área total e de produção e informações de contato. (Mapa no site)

A ferramenta está permitindo criar uma base de dados em SIG, a partir do levantamento, organização e a sistematização das informações disponíveis, com mapas de limites das propriedades de certificação agrícola e florestal do Imaflora, de uso e cobertura da terra, hidrografia, entre outros resultados de interesse. 

A intenção é criar um banco de dados suficientemente robusto para que, em alguns anos, seja possível ampliar a escala temporal de avaliação e incorporar ao IMAFLORA práticas de monitoramento de impactos sociais e ambientais de seus projetos junto às comunidades. 

Além de ajudar na interpretação, interação e monitoramento de impactos, a espacialização das ações do Imaflora, por si só, já gerou autoconhecimento e transparência externa para a Instituição. 

O grande desafio está no acesso aos dados existentes e na incorporação de novas práticas de inclusão dessas variáveis no processo.

Essa estruturação de dados geoespaciais vai de encontro a outra perspectiva do IMAFLORA que é o investimento em novas iniciativas em pesquisa científica. 

A meta é medir os impactos socioambientais dos projetos, com o fim de avaliar estratégias e ações e poder ter uma incidência mais qualificada em políticas públicas. Para alcançá-la, contamos com a participação de pesquisadores e instituições parceiras de ensino e pesquisa. 

Já em andamento, há um projeto de pesquisa a respeito dos impactos na conservação ambiental decorrentes da certificação de café em fazendas do bioma Cerrado, no oeste de Minas Gerais. Foram selecionadas duas espécies indicadoras (pequenos mamíferos) para avaliar o grau de conectividade ecológica de um grupo de fazendas certificadas, em relação a outro grupo de fazendas não certificadas. 

Os resultados, ainda em análise, permitirão avaliar a premissa inicial de que as normativas da certificação agrícola trazem contribuições para a conservação da biodiversidade, redução do desmatamento e a promoção da restauração de ecossistemas naturais.

Foram estabelecidas colaborações de pesquisa com ESALQ, UFABC-CEBRAP, UNICAMP, USP e Universidade da Califórnia. Também existem parcerias para intercâmbio de alunos estrangeiros (graduação e pós-graduação), principalmente da Universidade de Oxford.

O IMAFLORA tem o propósito de manter um processo contínuo de autoavaliação e identificação de impactos de suas ações. Embora o uso de ferramentas geoespaciais ainda esteja começando, tem grande potencial para melhorar esse processo com o tempo.


Elisa Hardt é bióloga, mestre em Recursos Florestais pela ESALQ e doutora em Engenharia pela Unicamp. No Imaflora é pesquisadora e corresponsável pela avaliação de impactos socioambientais. 



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