segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Moratória da soja é renovada pela última vez



Este será o último ano de vigência do acordo, que deverá ser substituído por um novo mecanismo de controle da produção

Nessa sexta-feira, dia 31 de janeiro, último dia de vigência da moratória da soja, o Grupo de Trabalho da Soja (GTS) decidiu renovar o acordo até 31 de dezembro de 2014, atendendo a pedidos das empresas consumidoras, das organizações da sociedade civil e do governo brasileiro. Esse será o ano final do compromisso que estabelece a não comercialização de grãos oriundos de áreas desmatadas da Amazônia a partir de julho de 2006.

O GTS, formado por organizações da sociedade civil, o governo, as comercializadoras de soja, a Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais) e a Anec (Associação Nacional de Exportadores de Cereais), se comprometeu a desenhar, testar e implementar durante esse período um mecanismo para substituir a moratória. O novo mecanismo terá como diretriz a consolidação do Sicar (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural), ferramenta de regularização ambiental prevista no novo Código Florestal.

“Após duras negociações, o GTS concordou em manter por mais um ano as principais premissas que garantiram o sucesso da moratória: o monitoramento e o desmatamento zero a partir de 2006. Num contexto em que o desmatamento dá sinais de aumento e novos projetos de infraestrutura estão sendo consolidados no coração da Amazônia para o transporte da soja, os desafios continuam enormes. Por isso, um novo acordo precisa ser ainda mais consistente que a atual moratória”, disse Paulo Adario, do Greenpeace.

A renovação do acordo ocorre meses após a taxa de desmatamento na Amazônia subir 28%, conforme divulgado pelo Inpe no final do ano passado. Os dois estados responsáveis pelos índices de aumento mais alarmantes são também os maiores produtores de soja da Amazônia Legal: Mato Grosso, que registrou alta de 52% no desmatamento, e Pará, que ficou com 37%.

Essa será a última renovação da moratória, que há sete anos tem sido uma ferramenta essencial para contribuir com a redução do desmatamento na Amazônia e fortalecer a governança na região. O Greenpeace continua engajado no processo coletivo para garantir o desmatamento zero e a proteção permanente da Amazônia.

Fonte: Matéria originalmente publicada por Greenpeace



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