quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ainda há boas notícias sobre sustentabilidade

Luis Fernando Guedes Pinto

Em meio a tantas turbulências, ameaças e reais retrocessos da agenda socioambiental e de sustentabilidade no Brasil e no mundo, é possível achar notícias animadoras e positivas. E elas vêm do mundo da já não tão jovem certificação socioambiental ou dos selos verdes.

Essas validações pretendem reconhecer o que é bem feito e incentivar mudanças para aqueles que desejam melhorar ou atingir um patamar mais alto de desempenho socioambiental em seu negócio.

 A boa notícia vem de um estudo lançado recentemente pela ISEAL Alliance, um tipo de Nações Unidas que reúne entre seus membros os principais sistemas de certificação de sustentabilidade que são comprometidos com valores como a participação, a transparência, a transformação e o impacto e a equidade no desenvolvimento e aplicação das suas regras. 

O relatório "The Business Benefits of Using Sustainability Standards" foi o primeiro esforço no sentido de fazer uma ampla revisão de pesquisas e estudos que avaliem o resultado da certificação para os negócios. O estudo também está organizado em ótimos infográficos, com a síntese dos resultados. 

A avaliação de mais de 40 materiais de sistemas de certificação e de setores da economia como agricultura, florestas, mineração e têxteis concluiu que as certificações de sustentabilidade oferecem uma ampla gama de benefícios para os negócios ao longo da cadeia de suprimentos, que podem se materializar na escala do valor da empresa, da cadeia de suprimentos e do setor. 

O estudo identificou como principais resultados de curto prazo prêmios para os produtos (em 45% dos estudos), acesso a mercados diferenciados (85%), melhor acesso a financiamento (30%), melhor gestão de risco da cadeia de suprimentos (55%) e melhoria operacional. 

Os resultados de longo prazo identificados em 53% dos casos foram o aumento do lucro, a diminuição de custos (30%) e a melhoria reputacional (60%). 

Ainda em abril, a ISEAL lançou outro estudo, desta vez em parceria com o WWF, analisando a contribuição da certificação de sustentabilidade para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O relatório "ODSs Geram Negócios: Como Padrões Críveis Podem Ajudar Empresas a Entregar a Agenda 2030" também está resumido em ótimos infográficos que mostram como sistemas de certificação estão contribuindo para o aumento da produtividade e da renda agrícola em países como a Indonésia e o Paquistão e para a conservação da água e da biodiversidade nas cadeias produtivas do café e da cana-de-­açúcar. 

Também tem exemplos concretos de eficiência energética e redução de emissões de gases de efeito estufa na produção de peixes e de biocombustíveis. Finalmente, reúne impactos da certificação para a garantia do trabalho decente na produção de tapetes no Nepal, na pesca na África do Sul e para extrativistas na Tanzânia.

Enfim, no atual contexto, não é pouca coisa e vale a pena estudar estes materiais em mais detalhes, pois também precisamos dar visibilidade e enaltecer o que está funcionando e causando mudanças para um mundo melhor.

Com todas as suas limitações e imperfeições, a certificação socioambiental segue sendo uma referência de sucesso para a inovação e mudanças reais em sistemas de produção, empreendimentos e cadeias produtivas pelo mundo. Tem contribuído para o fortalecimento dos negócios e para melhorias que beneficiam os consumidores e a sociedade como um todo. 





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