terça-feira, 12 de junho de 2018

Soja leva a crescimento econômico no Matopiba, mas indicadores sociais não avançam.

A conclusão é de um estudo conduzido pelo Imaflora, apresentado no final de maio em Conferência na França

No final de maio, o Imaflora participou da Conferência Anual Global de Lille, na França, promovida pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS), cujo tema foi: “Conexões e Compromissos: Um diálogo global sobre ações para transformar a soja”.

Heidi Buzato, socióloga e responsável pela área social do Imaflora, apresentou, na oportunidade, o estudo: “A soja no Matopiba:contradições do modelo de desenvolvimento”, realizado em parceria com o engenheiro florestal, Ricardo Camargo, também do Imaflora, depois de um ano e meio de pesquisa. 

‘’Há uma escassez de estudos voltados para o entendimento, sobretudo dos aspectos sociais que decorrem da entrada do cultivo da soja em grande escala nos municípios do Matopiba. É essa a lacuna que pretendemos preencher”, diz Heidi.

O território do Matopiba é formado pela confluência dos quatro estados brasileiros – oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão e Tocantins. Ricardo explica que: “a criação do Matopiba deu–se no contexto de um modelo de desenvolvimento orientado ao incremento da produção e beneficiamento das chamadas commodities, em especial da soja, com forte participação do setor privado vinculado a agricultura empresarial”.

Heidi explica que a soja gerou, sim, um crescimento econômico para os municípios da região, mas que os recursos da atividade não foram acompanhados de crescimentos nos indicadores sociais. No caso da saúde, por exemplo, o trabalho mostra que o impacto do crescimento populacional levou a um aumento enorme da procura pelos serviços públicos, sem que houvesse o suporte adequado para isso. Por outro lado, foi registrada uma queda no analfabetismo.

Ao mesmo tempo, o avanço do desmatamento no Cerrado é apontado como um risco, dado o potencial de expansão da soja e de outras atividades agropecuárias nas regiões. Somam-se a isso, os riscos sociais como a concentração fundiária, a redução das áreas destinadas à agricultura familiar, a geração de conflitos fundiários em função da crescente valorização da terra e o não reinvestimento dos excedentes gerados pela agricultura no próprio território, de forma equitativa.

Como recomendação, os autores do estudo defendem que o desenvolvimento inclusivo e equitativo depende da conservação da base de recursos naturais do Cerrado (água, solos saudáveis, biodiversidade, carbono sequestrado) e deve ser construído e apoiado por uma ampla articulação de representantes dos setores privados e públicos para encontrar os caminhos que produzam e distribuam riquezas de forma equitativa.

“A soja no Matopiba: contradições do modelo de desenvolvimento” contou com revisão técnica de Isabel Drigo e Lisandro Inakake de Souza, do Imaflora, consultoria dos sociólogos Arilson Favareto e Clarissa Magalhães e financiamento da Fundação Moore.

Confira a matéria no Valor Econômico.

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