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sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Quem paga a conta do combate às mudanças climáticas?


Iniciativas de governos de países desenvolvidos e integrantes do setor empresarial precisam fazer parte de estratégia conjunta.


 Marina Piatto*

Começou a COP 25, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que deve trazer como questão central a seguinte pergunta: quem paga a conta do combate às mudanças climáticas? A urgência em se manter a temperatura global no limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e zerar as emissões até 2050 aponta a necessidade de se mudar o tom do debate. Isto porque o patamar de investimento em iniciativas climáticas prometido aos países em desenvolvimento (US$ 100 bilhões investidos por ano, em 2020) ainda está longe de ser atingido. Um relatório da OCDE de 2018 mostrou que os gastos foram de apenas US$ 48,5 bilhões em 2016 e de US$ 57,6 bilhões em 2017. Uma das formas de financiamento do combate à crise climática dará o tom das discussões nesta COP. Serão negociadas novas regras para os mercados de carbono, visto que o consenso em torno do funcionamento desse mecanismo não foi alcançado na última cúpula, em Katowice, na Polônia.

Essa disposição de discutir medidas mais efetivas esteve presente na ultima Semana do Clima de Nova York, realizada em setembro. Mais do que um "call to action", foi um "recall to action". A chamada para a ação já foi feita: é preciso agora que governos, empresas e sociedade partam, de fato, para a ação. O quadro apresentado foi de falta de avanços nos compromissos e de ações não implementadas, e da necessidade de atuação conjunta. No lugar de iniciativas isoladas de governos, são urgentes ações como a da União Europeia, que está regulamentando uma lei para que os países do bloco só possam importar produtos de cadeias livres de desmatamento. A lei deverá entrar em vigor em 2022, e pode se tornar uma má notícia para o Brasil, que acaba de liberar a plantação de cana-de-açúcar na Amazônia e ainda assiste a um movimento de produtores para suspender a moratória da soja, um dos principais compromissos de combate ao desmatamento em cadeias produtivas.

Do lado das empresas, as iniciativas também precisam ser conjuntas. É inegável que existem movimentos por parte de grandes companhias para estabelecer compromissos junto a fornecedores e ampliar a rastreabilidade de suas cadeias produtivas. Mas, por maiores que elas sejam, não conseguem sozinhas mudar o cenário de forma estrutural. E a maioria ainda permanece imóvel ou faz muito pouco, por receio de perder competitividade. É preciso que haja uma estratégia coletiva por parte de setores empresariais, o que permitirá que todos seus membros caminhem na mesma direção, com segurança. As cadeias produtivas são longas e é preciso conhecer a origem das matérias-primas  por completo, acabando com ilegalidades. Soluções para o uso responsável do solo pelos produtores já existem, mas é necessário investimento para que haja maior capacitação, adoção das práticas e monitoramento. O quanto as empresas estão dispostas a pagar por isso ainda é uma incógnita. Se, por força de uma decisão setorial, uma petroleira tiver que investir em combustíveis renováveis ou uma grande empresa energética precisar aumentar seu portfólio de fontes de energias limpas, elas o farão com certeza de que não vão perder mercado por conta disso. Pode ser um empurrão importante.

Outra oportunidade de mercado que foi discutida na Semana do Clima de Nova York e deverá fazer parte dos debates na COP são os pagamentos por serviços ambientais, recompensando aqueles que preservam seus ativos e contribuindo diretamente para o sequestro de carbono por meio da manutenção de recursos hídricos, reservas naturais e biodiversidade. Ao valorizar financeiramente a manutenção de áreas que conciliam conservação e produção, governos e iniciativa privada podem contribuir para reverter a lógica da exploração e destruição, criar uma nova fonte de renda para quem produz e conserva e estimular o desenvolvimento de uma economia da floresta em pé.   

Os mercados financeiros também são um ator fundamental. São os gestores de grandes bancos ou fundos de investimentos que decidem onde serão aportados milhões em aplicações. Na Semana do Clima, por exemplo, foi debatido o papel do mercado de investimentos e fundos de pensão ao financiar o crédito agrícola ou a compra e venda de terras, sendo assim peça-chave para o desenvolvimento sem novos desmatamentos e de práticas de baixo carbono. Mais uma vez, a decisão não deve estar atrelada apenas à visão de curto prazo. Recentemente, um grupo de 230 fundos de investimentos responsáveis pela administração de US$ 16 trilhões (valor maior que o PIB da China, de US$ 13 trilhões) emitiram um comunicado em que pediam ao Brasil ações concretas para conter o avanço do desmatamento e das queimadas na região da Floresta Amazônica. Pelo tamanho e alcance do grupo envolvido, é uma atitude considerável. A iniciativa não foi baseada em "bom-mocismo", mas sim na preocupação deles com os possíveis impactos financeiros e de reputação nas empresas investidas, que poderiam ter dificuldade de acesso a mercados caso se vissem envolvidas com desmatamento em suas cadeias de suprimentos. 

O poder que o setor privado tem em mãos pode ser até maior que o de governos nacionais, pois conseguem mobilizar cadeias produtivas que ultrapassam fronteiras. Mas é preciso que esse olhar para investimentos responsáveis seja a prática comum, não uma exceção em momentos de crise aguda. O preço para lidarmos com as mudanças climáticas hoje está dado. Mas, se não aproveitarmos a COP para definirmos como vamos arcar com ele, mais tarde teremos que rever a conta para cima.

*Marina Piatto, gerente de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora.



sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Campanha sobre Governo Aberto reforça a importância da transparência


Imaflora, Engajamundo, OCF - Observatório do Código Florestal, Agenda Pública, Amigos da Terra, Apremavi, IGA - Instituto de Governo Aberto, ICV - Instituto Centro de Vida e Kaapora lançaram esta semana, durante o IV Encontro Brasileiro de Governo Aberto, realizado durante os dias 26 e 27 de novembro, a campanha digital que alerta para a importância do conceito de Governo Aberto e da liberdade de informação.

Durante a próxima semana as homepages de sites e as redes sociais dos parceiros que aderiram à campanha terão números e dados relevantes cobertos. Ao clicar na página, os usuários serão remetidos a um hotsite onde poderão conhecer o conceito de Governo Aberto, compreendendo a importância da transparência, participação social em políticas públicas e atuação de órgãos de controle.

Saiba mais em: https://trilha.imaflora.org 


terça-feira, 22 de outubro de 2019

Brasil se prepara para receber programa da Nasa de combate a eventos climáticos extremos


Com coordenação local do Imaflora, SERVIR-Amazonia vai utilizar dados de satélite para desenvolver soluções de enfrentamento a queimadas e enchentes; primeiro workshop para implementação do projeto no país acontece neste mês.


São Paulo, 14 de outubro de 2019 - O Brasil vai contar com uma nova iniciativa poderosa para enfrentar os desafios climáticos. Trata-se do SERVIR-Amazonia, um programa global da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica dos Estados Unidos) e da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) que visa conectar os mais recentes avanços em sensoriamento remoto com demandas regionais associadas a preservação e desenvolvimento sustentável na Amazônia. Na prática, utiliza dados de satélite e tecnologias geoespaciais para co-desenvolver soluções com organizações regionais, de combate a eventos climáticos extremos, como incêndios florestais e enchentes. Presente em 41 países, com 42 serviços já disponíveis ou em desenvolvimento, o SERVIR Global terá no Brasil, Colômbia e Perú seu quinto centro regional, sob coordenação do Centro Internacional de Agricultura Trocical (CIAT) e aliança com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). No processo de engajamento com as instituições usuárias locais, será realizado em Brasília, nos próximos dias 23 e 24 de outubro, o workshop “Consulta sobre as necessidades dos usuários do programa SERVIR-Amazônia”, com representantes da NASA, USAID, CIAT e organizações brasileiras.  

Direcionado às instituições usuárias de tecnologia geoespacial de observação da Terra, o workshop vai avaliar as necessidades e oportunidades para o co-desenho, co-desenvolvimento e co-entrega de  serviços de informação geoespacial, apresentando, como contextualização, as soluções já desenvolvidas que podem contribuir para o enfrentamento de ameaças climáticas. No Brasil, poderão se associar à iniciativa  órgãos do governo, como Ministério da Ciência e Tecnologia (INPE, Cemaden, AEB e INPA), Ministério do Meio Ambiente (Ibama e ICMBio), Ministério da Defesa (Censipam), Ministério Público, universidades e centros de pesquisa e centros de monitoramento estaduais, instituições de inovação e amparo a pesquisa, como CAPES e CNPq, e ONGs que trabalham com a questão climática, além de organizações privadas. Os serviços oferecidos pelo SERVIR são sempre pensados a partir das próprias demandas dos usuários. "Pode haver dificuldade, por exemplo, de mapear as queimas prescritas ou as cicatrizes de queimadas. O SERVIR-Amazonia poderia fomentar o co-desenvolvimento de soluções tecnológicas, com base na ciência de dados geoespacial, e contribuir na identificação dessas cicatrizes e ajudar na priorização do trabalho das brigadas de combate a queimadas", exemplifica José Leandro Fernandes, do CIAT, sediado em Cali-Colômbia, que lidera a implementação do projeto na América Latina. 

O SERVIR-Amazonia conta ainda com a parceria do Grupo de Informática Espacial (SIG), dos Estados Unidos, e da Conservación Amazónica (da ACCA), do Peru, além do Imaflora. "Vamos coordenar o hub brasileiro do projeto, apoiando a implementação do programa no país, engajando as partes interessadas e sendo responsável pela condução de treinamentos e outras atividades que venham a ser desenvolvidas com instituições brasileiras", explica Marina Piatto, gerente de clima e cadeias agropecuárias do Imaflora.  Além do Brasil, países como Peru, Colômbia, Equador, Suriname e Guiana também contarão com ações do SERVIR-Amazonia, em quatro áreas temáticas de serviço: risco de secas e incêndio, gestão de recursos hídricos e desastres hidroclimáticos, tempo e clima e gestão de ecossistemas. Durante cinco anos, o SERVIR-Amazonia trabalhará com diversos parceiros regionais para compreender as necessidades locais e regionais e criar ferramentas, produtos, treinamentos e serviços para que as instituições mandatárias da tomada de decisão ambiental no bioma Amazônia  possam melhorar seu processo decisório, além de incorporar mais adequadamente a voz de mulheres, povos indígenas e suas comunidades às suas decisões.

Sobre o Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais. O Imaflora acredita que a certificação socioambiental é uma das ferramentas que respondem a parte desse desafio, nos setores florestal e agrícola, com forte poder indutor do desenvolvimento local sustentável. Dessa maneira, o instituto busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola, colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer, de fato, a diferença nas regiões em que atua, criando modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em outros municípios, regiões e biomas do país.

Mais informações, no site.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Imaflora lança pesquisa sobre comportamento “verde” dos brasileiros no Dia do Consumo Consciente

O estudo mostra atitudes, comportamentos e hábitos do consumidor brasileiro em relação a questões socioambientais.

Hoje, 15 de outubro, comemoramos o Dia do Consumo Consciente. Para celebrar essa data, lançamos a pesquisa realizada junto à H2R Pesquisas Avançadas, com o objetivo de ajudar a compreender atitudes, comportamentos e hábitos do consumidor brasileiro em relação a questões socioambientais. A pesquisa traz resultados que auxiliam no debate sobre a atuação sustentável das indústrias, empresas, consumidores e certificadoras.

Os resultados apontam caminhos e indicam ferramentas que colaboram com a gestão de cadeias produtivas mais responsáveis. Também reforçam a importância do uso de selos e certificados para demonstrar compromissos socioambientais, e ajudam a direcionar ações de comunicação que diferenciem marcas e produtos.

Promover ações que contribuem para a conservação dos recursos naturais e, também, para melhoria e manutenção da qualidade de vida de trabalhadores rurais e florestais, populações tradicionais, indígenas, quilombolas e agricultores familiares. Esse é o propósito do Imaflora, uma organização da sociedade civil, criada em 1995, que também atua como certificador FSC® - Forest Stewardship Council® (em português, Conselho de Manejo Florestal).

Confira aqui os principais resultados da pesquisa.



quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Economia da floresta em pé é tema de seminário na Amazônia

Pesquisadores, empresários, povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares e organizações governamentais e não governamentais se reúnem em Alter do Chão, no Pará, para debater o uso sustentável de produtos da floresta, em evento promovido pelo programa Florestas de Valor, do Imaflora

São Paulo, xx de outubro de 2019 – Discutir a economia da floresta em pé na Amazônia  e dar visibilidade para iniciativas que promovem bons negócios e ao mesmo tempo conservam a floresta e geram valor compartilhado para as populações tradicionais e povos indígenas da região. Esse é o objetivo do Seminário Florestas de Valor, que será realizado em Alter do Chão, no Pará, no próximo dia 31 de outubro. Organizado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e parceiros, através do Florestas de Valor, patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, o encontro reunirá representantes das comunidades locais,  organizações públicas e privadas que atuam na Amazônia, pesquisadores e empresas para discutir caminhos possíveis para uma economia responsável e o desenvolvimento mais sustentável para a região.

"O Florestas de Valor mostra que é possível termos alternativas econômicas para comunidades tradicionais de produtores rurais e extrativistas que, usando técnicas de uso responsável dos recursos, conseguem conservar o ecossistema e gerar renda", afirma Roberto Palmieri, Secretário Executivo Adjunto e gerente do Florestas de Valor. "Reunir outras organizações e empresas que também atuam na região é uma ótima oportunidade para troca de experiências e para mostrar às comunidades o resultado positivo desse trabalho."

O seminário terá início com o painel "O valor da economia da Floresta em Pé", no qual será apresentada a viabilidade de um modelo econômico que permite extrair maior valor dos produtos oferecidos pela conservação da floresta, no lugar da sua derrubada.  Maurício Voivodic (WWF Brasil), Ismael Nobre (UNICAMP/Projeto Amazônia 4.0), Caetano Scannavino (Projeto Saúde e Alegria), Renata Puchala (Become) e Adriana Ramos (ISA) participam do painel.

Na sequência, uma roda de conversa trará cases de boas práticas desse ecossistema, com a presença de Mauro Costa (Natura), Nina Braga (Osklen | Instituto-e), Valmir Ortega (Conexsus), Patrícia Gomes (Imaflora | Origens Brasil®) e algumas das empresas da rede Origens Brasil®:  Thiago Valença (Wickbold), Joana Martins (Manioca) e Renata Amaral (Grupo Pão de Açúcar).

O evento é gratuito e aberto ao público e para se inscrever basta acessar o link.

O Florestas de Valor é um programa do Imaflora, que conta com parceria da Petrobras e recursos do Fundo Amazônia/BNDES para  fomentar atividades agroextrativistas e agrícolas de base ecológica na Amazônia para consolidar áreas protegidas, conservando recursos naturais e valorizando as populações tradicionais e agricultores familiares. Atua nos territórios da Calha Norte do Rio Amazonas, e no município de São Félix do Xingu, no Pará. O programa também apoia a estruturação de cadeias de valor para os produtos, promovendo a conexão com empresas e facilitando seu acesso e inserção em mercados onde os atributos socioambientais são vistos como diferenciais. Os produtores envolvidos recebem apoio técnico para estruturar unidades de beneficiamento e aperfeiçoar a gestão dos negócios.

SERVIÇO:

Seminário Florestas de Valor: a economia da floresta em pé

Quando: 31/10/2019

Programação:

 8h30 - 10h15

Abertura e painel: "O Valor da Economia da Floresta em Pé"
Moderação: Rodrigo Junqueira (ISA)
- Maurício Voivodic - WWF Brasil
- Ismael Nobre – UNICAMP/Projeto Amazônia 4.0
- Caetano Scannavino - Projeto Saúde e Alegria
- Renata Puchala - Become
- Adriana Ramos – ISA

● 10h15 - 10h45

Coffee break

● 10h45 - 12h30

Painel "O Valor da Economia da Floresta em Pé" (continuação)
- Maurício Voivodic - WWF Brasil
- Ismael Nobre – UNICAMP/Projeto Amazônia 4.0
- Caetano Scannavino - Projeto Saúde e Alegria
- Renata Puchala - Become: hub de inovação e sustentabilidade para negócios
- Adriana Ramos - ISA - Instituto Socioambiental

 12h30 - 14h

Almoço

● 14h - 16h

Roda de conversa: Cases de Boas Práticas de Economia da Floresta em Pé
- Mauro Costa - Natura
- Nina Braga - Osklen | Instituto-e
- Valmir Ortega - Conexsus
- Patrícia Gomes - Imaflora | Origens Brasil® e as empresas da rede:  Thiago Valença (Wickbold), Joana Martins (Manioca) e Renata Amaral (Grupo Pão de Açúcar)

● 16h - 17h

Encerramento e coquetel

Onde: Restaurante Tapiri do Saulo (ao lado do Imaflora, Lauro Sodré, 213, Alter do Chão - Santarém - PA).

Inscrições, aqui.

Sobre o Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais. O Imaflora acredita que a certificação socioambiental é uma das ferramentas que respondem a parte desse desafio, nos setores florestal e agrícola, com forte poder indutor do desenvolvimento local sustentável. Dessa maneira, o instituto busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola, colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer, de fato, a diferença nas regiões em que atua, criando modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em outros municípios, regiões e biomas do país.

Mais informações no site.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Vídeos sobre o uso sustentável da floresta são lançados por Observatório

O Observatório do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (OMFCF) divulga a partir de hoje (07) uma séries de doze vídeos curtos relacionados ao uso sustentável das florestas. A série dará voz a representantes de ONGs, instituições financeiras e, principalmente, populações extrativistas. Com temática variada, os depoimentos abordam questões estruturantes, como articulação social e definição negócios comunitários, além de temas mais pragmáticos ligados ao crédito bancário e a certificação florestal.

O Imaflora teve participação em dois deles, confira aqui.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Imaflora apresentará estudos na IUFRO 2019, que acontecerá em Curitiba

Tem início no próximo domingo (29) a edição 2019 da IUFRO (International Union Of Forest Research Organizations), que acontecerá em Curitiba (PR), na Expo Unimed, até o dia 5 de outubro. A IUFRO é o maior e mais importante congresso em pesquisa florestal do mundo.

O Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), ao lado do Lanp - Esalq/USP (Laboratório de Áreas Naturais Protegidas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e da Fundação Grupo Boticário, será o responsável pela coordenação da sessão técnica: “Benefícios sociais e econômicos em Áreas Protegidas: parcerias e concessões para o desenvolvimento local”, que acontecerá na terça-feira (1), na sala R04, das 15h30 às 17h30, com apresentações sobre concessões florestais e para uso público no Brasil, Japão, África do Sul, Guatemala e Colômbia, e discutirá modelos para o uso de recursos naturais e de prestação de serviços.

Nesta sessão, Roberto Palmieri e Felipe Cerignoni, do Imaflora, apresentarão o artigo “Concessões florestais afetam dinâmica de desmatamento nas áreas protegidas da Amazônia Brasileira”, às 15h55. Ainda dentro da programação do Imaflora na IUFRO, na segunda-feira (30) Nathalia Ribeiro falará sobre os “Desafios do conceito de Paisagens Florestais Intactas (PFI) para o desenvolvimento do manejo florestal comunitário certificado FSC® (Forest Stewardship Council® - Conselho de Manejo Florestal) na Amazônia Brasileira”, às 15h30, na sala R17. E, na quarta-feira (2), Isabel Garcia Drigo apresentará o tema “Paisagens florestais intactas: como conciliar esforços de manejo e conservação florestal sob certificação FSC® na Amazônia brasileira”, às 8h30, na sala R01. O Origens Brasil®, iniciativa administrada pelo Imaflora, também participará do evento, com a exposição de um paper, na quarta-feira (2), às 12h30, na sala P25.

Para mais informações sobre a programação da IUFRO, acesse aqui

Para se inscrever, clique aqui.

IUFRO 2019 - O Congresso Mundial IUFRO 2019 acontecerá entre 29 de setembro e 5 de outubro, na capital paranaense, e será coordenado pelo SFB (Serviço Florestal Brasileiro) e pela Embrapa. São esperados cerca de três mil participantes. Mais informações: http://iufro2019.com



sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Florestas de Valor: a bioeconomia que gera renda e mantém a floresta em pé

Além de abrigar a maior biodiversidade do planeta, a floresta amazônica abastece atividades econômicas de baixo impacto ambiental, que impulsionam o desenvolvimento de comunidades extrativistas de forma sustentável. No Brasil, a economia de produtos florestais não madeireiros movimenta mais de R$ 1,5 bilhão por ano, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A coleta de produtos encontrados no interior da floresta, como castanha, açaí e babaçu, garantem a subsistência de mais de dois milhões de pessoas no País.

É na valorização desse tipo de atividade econômica que acredita o Florestas de Valor, programa desenvolvido pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, que estimula a criação de cadeias produtivas sustentáveis dentro do mosaico de áreas protegidas da Amazônia brasileira, gerando renda e conservando a floresta.

Uma das iniciativas que ajuda a movimentar esta bioeconomia é desenvolvida pela Associação de Mulheres Produtoras de Polpa de Frutas (AMPPF) de São Félix do Xingu, município do Sudoeste do Pará. Na cidade, foram implantados sistemas agroflorestais (Safs), que regeneraram áreas degradadas do bioma amazônico, recuperaram a fertilidade do solo e ofereceram um novo tipo de receita: a venda de polpa de fruta. Este ano, com apoio do Imaflora, as mulheres ganharam um incentivo para aumentar a sua produção: a implantação de 20 novos viveiros familiares com mudas florestais e frutíferas, como cacau, cupuaçu, acerola, cajá, açaí, manga, graviola, maracujá, goiaba e tamarindo.

“Essa iniciativa do Florestas de Valor acontece dentro de espaços abertos há mais de 20 anos e seu propósito é estruturar e fortalecer cadeias de produtos não madeireiros, para que essas áreas e os seus entornos contribuam para o desenvolvimento regional e proporcionem condições dignas às populações amazônicas”, explica Eduardo Trevisan, gerente de projetos do Imaflora.

A AMPPF, que tomou corpo jurídico em 2012, foi gestada pela ADAFAX (Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar do Alto Xingu), que produziu um levantamento de mercado, potencial comercial, preferência de sabores e cotação de valores para a produção de polpas. A partir dessa avaliação, foi mapeada uma política pública de incentivo à produção local: o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O PNAE determina que, no mínimo, 30% dos itens da merenda escolar local sejam adquiridos de agricultores familiares, o que gera uma demanda fixa de diversos gêneros alimentícios, incluindo a polpa de fruta.

  • Coleta de produtos encontrados no interior da floresta, como castanha, açaí e babaçu, garantem a subsistência de mais de dois milhões de pessoas no País. Crédito: Aloyana Lemos

Em 2018, cada família comercializou 500 kg de polpa e recebeu cerca de R$ 8 mil. Já em 2019, o montante alcançado pelas 16 famílias produtoras chegará a cerca de R$ 140 mil, com a comercialização de 9.724 kg. A associação reúne produtoras artesanais da comunidade de Maguary, Tancredo Neves e Nereu, que ficam num raio entre 20 e 50 km de distância de São Félix do Xingu.

Para as mulheres, a criação da AMPPF foi um caminho para a independência financeira, afirma Celma de Oliveira, analista de projetos do Imaflora. “Antes, as mulheres só participavam das etapas que ocorriam dentro das suas propriedades e, hoje, elas assumiram todos os processos de administração, produção e comercialização, empreendendo e melhorando a qualidade de vida das suas famílias, conseguindo adquirir bens e serviços por conta própria e sonhando com possibilidades cada vez maiores”, comenta.

Maria Helena Gomes, 27, é uma das agricultoras que participa da AMPPF. Ela conta que no início o projeto era uma complementação de renda das famílias e uma proposta para dar independência às mulheres. Entretanto, com o tempo se tornou a principal fonte de renda e de sustento das famílias. “Com mão-de-obra totalmente familiar, cada família produz em casa e tudo é feito de maneira artesanal. Passamos por cursos de capacitação para aprender a fazer o processamento adequado das frutas com todos os cuidados de higiene e de saúde”, afirma.

A AMPPF teve apoio da CAMPPAX (Cooperativa Alternativa Mista dos Pequenos Produtores do Alto Xingu), que concedeu por 10 anos, em regime de comodato, um ponto comercial para a entidade. Os recursos da reforma do imóvel e alguns insumos foram cobertos por recursos do projeto Fronteiras Florestais, além do programa Usinas de Trabalho do Consulado da Mulher, entre outras iniciativas. Além do trabalho com as mulheres, o Imaflora desenvolve, em São Felix do Xingu, atividades envolvendo mais de 200 famílias nos eixos de produção sustentável de cacau, empreendedorismo local e educação rural.

Florestas de Valor

O Florestas de Valor fortalece as cadeias de produtos florestais não madeireiros, dissemina a agroecologia para que as áreas protegidas e seu entorno contribuam para o desenvolvimento regional, proporcionando condições dignas às populações locais e conservação dos recursos naturais. Atua na conservação da floresta nas regiões da Calha Norte do Rio Amazonas, na Terra do Meio e no município de São Félix do Xingu, fomentando atividades produtivas e oportunizando a geração de renda na Amazônia Legal brasileira.

Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora – é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais. Mais informações: www.imaflora.org

Mais informações à imprensa:
Bruno Bianchin Martim | bruno.bianchin@imaflora.org

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Florestas de Valor e outros 22 projetos patrocinados pela Petrobras convidam voluntários para as ações do Dia Mundial de Limpeza de Praias, Rios e Florestas

A expectativa é coletar mais de 12 toneladas de resíduos em 140 km de praias de norte a sul do país.

No próximo dia 21 de setembro (sábado), o Florestas de Valor, do Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), se juntará ao esforço mundial de limpeza de praias, rios e florestas. Com base nos resultados de atividades semelhantes realizadas ao longo do ano, os 23 projetos patrocinados por meio do Petrobras Socioambiental esperam coletar 12 toneladas de resíduos em 140 km de praias do Pará ao Rio Grande do Sul, incluindo a Praia do Cajueiro, em Alter do Chão – PA. Além da coleta e destinação correta do lixo, a ideia é mobilizar voluntários a disseminar informações sobre os cuidados com o meio ambiente.

Latas, copos, garrafas e outros materiais de plástico, chinelos, bitucas de cigarro, restos de petrechos de pesca e até agulhas são alguns dos materiais que, quando descartados no lugar errado, vão parar no mar ou, como no caso de Alter do Chão, nos rios. É por isso que, neste sábado, uma equipe do Florestas de Valor comandará a limpeza da Praia do Cajueiro, localizada na área central da vila. A participação é aberta ao público e os interessados poderão se encontrar no canto direito da praia, que fica próxima ao escritório regional do Instituto.

Leo Ferreira, coordenador de projetos do Imaflora, afirma que esta iniciativa marcará o lançamento do compromisso do Florestas de Valor com a manutenção e limpeza periódica da Praia do Cajueiro. Após a ação de limpeza, outras medidas serão implementadas, como a doação e instalação de lixeiras e a limpeza periódica da praia. “Uma ação como essa envolvendo tantas localidades é importante para lembrarmos que, mesmo distantes, estamos todos conectados pelas águas. A limpeza que faremos aqui no Rio Tapajós tem impacto lá no final e, por isso, os rios são fontes iniciais para a contaminação e acúmulo de lixo nos oceanos”, diz.

O Dia Mundial de Limpeza de Praias, Rios e Florestas é uma ação internacional que reúne milhares de voluntários no mundo inteiro para a limpeza de praias, rios e ambientes costeiros. O evento ocorre sempre no terceiro final de semana de setembro e teve início em 1986, nos Estados Unidos. Seu objetivo é conscientizar a sociedade sobre o descarte irregular de resíduos sólidos urbanos que vão parar em rios e oceanos.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), todos os anos mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos. Estudos apontam que o plástico representa 80% do lixo nos oceanos e causa prejuízos no valor de US$ 8 bilhões nos ecossistemas marinhos. Se o aumento de resíduos como garrafas, sacolas e copos de plástico se mantiver no ritmo atual, em 2050 haverá mais plástico do que peixes em peso no mar e 99% das aves marinhas terão consumido restos deste material.

Sobre o Imaflora

O Imaflora é uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos, que trabalha para promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e para gerar benefícios sociais nos setores florestal e agropecuário. Com atuação nacional e participação em fóruns internacionais, foi fundado em 1995 e tem sede em Piracicaba, interior de São Paulo. Saiba mais em www.imaflora.org

SERVIÇO

“Dia Mundial de Limpeza de Praias, Rios e Praias”.
Praia do Cajueiro, Alter do Chão – PA.
Ponto de encontro: Escritório do Imaflora (Lauro Sodré, 215).
Horário: A partir das 14h.




sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Imaflora lança guia prático de advocacy para organizações da sociedade civil

Voltado a organizações, movimentos e ativistas, documento traz passo a passo para elaborar, implementar e monitorar estratégias para influenciar políticas públicas.

São Paulo, 12 de setembro de 2019 - Diversas organizações da sociedade civil realizam um trabalho valioso de contribuição para solucionar os problemas do país, seja por meio de estudos, projetos e campanhas. No entanto, muitas vezes elas têm dificuldade de levar sua contribuição para a construção de políticas públicas mais eficientes e duradouras em suas áreas. Para fazer frente a essa lacuna e fomentar o protagonismo da sociedade civil junto ao poder público, o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) lança neste domingo (15/09), dia da democracia, o "Guia para a construção de estratégias de advocacy: como influenciar políticas públicas", que ficará disponível para download no site da instituição (www.imaflora.org) com acesso livre a todos os interessados.    

O material, que tem autoria de Renato Pellegrini Morgado e Andréa Cristina Oliveira Gozetto, especialistas em políticas públicas e relações governamentais, fornece uma série de orientações para que organizações, coalizões da sociedade civil, movimentos sociais e ativistas possam construir estratégias de advocacy, a fim de influenciar de modo efetivo na construção e implementação de políticas públicas em suas áreas. Seguindo a visão de que uma política pública pode ser de responsabilidade tanto de órgãos do Estado, quanto de outros atores, como órgãos multilaterais, empresas, organizações e redes da sociedade civil, o guia traz orientações, dicas e ferramentas gerais que podem ser utilizadas para influenciar políticas públicas sob a responsabilidade de diferentes atores, incluindo empresas.

O guia traz explicações sobre os conceitos de advocacy, lobby, ativismo e políticas públicas, além de listar dez passos para a construção de estratégias, com ferramentas e métodos de apoio para a implantação. "Influenciar políticas públicas não é algo que pode ser atingido de forma casual, sem uma estratégia bem definida e um processo de aprendizado contínuo. A existência de uma estratégia é fundamental para que as ações tenham o maior impacto possível, além de permitir processos estruturados de monitoramento e de avaliação", afirma Luis Fernando Guedes Pinto, gerente de políticas públicas do Imaflora.

A ideia do guia surgiu de uma necessidade do próprio Imaflora, de elaborar um método para as estratégias de advocacy com base em seu longo histórico de ações em políticas públicas desde sua fundação. "Inicialmente seria um material de uso interno, mas, ao longo do processo de elaboração, percebemos que o guia poderia ajudar também outras organizações e pessoas, já que existem poucos materiais sobre o tema. Decidimos então disponibilizá-lo publicamente", relata.

O material foi produzido com base na experiência do Imaflora e em documentos de diversas instituições, como organizações do sistema ONU, universidades e ONGs, e pode ser utilizado para o planejamento da estratégia de advocacy de uma área ou tema de atuação da organização (mudanças climáticas, direitos das mulheres ou mobilidade urbana, por exemplo).  "Esperamos que este guia possa contribuir para o fortalecimento da sociedade civil e para a construção de políticas públicas voltadas para a conservação ambiental, o aprofundamento democrático e a garantia de direitos", completa Luis Fernando.

O lançamento do "Guia para a construção de estratégias de advocacy: como influenciar políticas públicas" será marcado por um webinar, nesta segunda-feira, 16 de setembro, a partir das 14h, no qual será feita a apresentação completa do material. O webinar Estratégias para Advocacy será realizado pelo Imaflora e apresentado por Renato Pellegrini Morgado, especialista em democracia participativa e Andréa Cristina Oliveira Gozetto, doutora em ciências sociais, autores do Guia para Construção de Estratégia de Advocacy: como influenciar políticas públicas. Haverá espaço para interação para solucionar dúvidas.

Para participar do webinar é preciso acessar o link https://zoom.us/j/469515335.

Serviço

Webinar de lançamento do "Guia para a construção de estratégias de advocacy: como influenciar políticas públicas".

Segunda-feira, 16 de setembro, a partir das 14h às 15h.

Link de acesso: https://zoom.us/j/469515335

Sobre o Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora – é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais. O Imaflora acredita que a certificação socioambiental é uma das ferramentas que respondem a parte desse desafio, com forte poder indutor do desenvolvimento local, sustentável, nos setores florestal e agrícola. Dessa maneira, o Instituto busca influenciar as cadeias produtivas dos produtos de origem florestal e agrícola; colaborar para a elaboração e implementação de políticas de interesse público e, finalmente, fazer, de fato, a diferença nas regiões em que atua, criando ali modelos de uso da terra e de desenvolvimento sustentável que possam ser reproduzidos em outros municípios, regiões ou biomas do País.

Mais informações: www.imaflora.org


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Imaflora apresentará exemplo de negócio da sociobiodiversidade durante a Conferência Ethos


Rede Origens Brasil® apresentará modelo de negócios inovador que conecta populações tradicionais e povos indígenas da Amazônia com empresas e consumidor final. Ecossistema agroalimentar também será tema de painel

As contribuições proporcionadas pela economia da floresta em pé  e os impactos positivos para as populações tradicionais e indígenas, na cadeia produtiva e no mercado consumidor são os temas que o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) levará para a Conferência Ethos 360º, que acontecerá nos dias 3 e 4 de setembro, no Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento traz casos e iniciativas nacionais e internacionais que aperfeiçoam o debate e a experiência sobre as trajetórias econômicas, sociais e políticas para o desenvolvimento sustentável.

No painel "A potência da sociobiodiversidade: Povos da floresta e empresas unidos pela transparência e pela rastreabilidade para produzir cadeias virtuosas de valor", a gerente do Origens Brasil®, Patrícia Cota Gomes, representantes de duas empresas-membro da Rede Origens Brasil® (Pedro Wickbold, diretor de marketing e venda da Wickbold e André Tabanez, gerente regional de ingredientes da Firmenich), Pedro Pereira, extrativista da rede de cantinas da Terra do Meio, no Xingu, e Jeferson Straatmann, assessor de arranjos produtivos locais do ISA (Instituto Socioambiental), irão dialogar sobre a manutenção da floresta em pé proporcionada pela iniciativa, os serviços socioambientais gerados a partir do modelo de produção que utiliza os saberes tradicionais, como as conexões com as empresas podem gerar impacto positivo para as populações e seus territórios e como os mecanismos de transparência, rastreabilidade e garantia de origem podem contribuir para a valorização dessas cadeias e a geração de consciência e engajamento do mercado consumidor.

Extração de óleo de copaíba na região da Calha Norte (Aloyana Lemos)

O Origens Brasil® é uma iniciativa inovadora, concebida pelo Imaflora e pelo ISA, que utiliza a tecnologia, um modelo de atuação em rede e a transparência para conectar o produtor da floresta de comunidades tradicionais e indígenas às empresas e ao consumidor final, contribuindo para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Em apenas três anos, o Origens Brasil® foi o vencedor do Prêmio Internacional de Inovação para alimentação e Agricultura Sustentáveis da FAO/ONU e reconhecido pela Fundação Banco do Brasil como tecnologia social. E já reúne mais de 1.500 produtores cadastrados de 36 etnias diferentes, 40 organizações de apoio e organizações comunitárias, 15 empresas-membro, como Wickbold, Lush e Pão de Açúcar, mais de 35 produtos e ingredientes comercializados e movimentou mais de R$ 5 milhões em produtos comercializados.

O Imaflora também participará de outro painel durante a Conferência Ethos 360º: na quarta-feira, Luís Fernando Guedes Pinto, gerente de políticas públicas do Imaflora, a diretora da plataforma Novos Urbanos, Denise Chaer, a nutricionista e apresentadora Gabriela Kapim, o representante da Contag, Arnaldo Brito, e a gerente sênior de sustentabilidade e categoria na Coca-Cola, Katielle Haffner, estarão no painel "Os Caminhos para o ecossistema agroalimentar brasileiro".    

Durante o painel, serão apresentados os resultados do Laboratório de Inovação Social para Alimentação, Nutrição e Desenvolvimento, organizado em 2018 pela Novos Urbanos em parceira com o Imaflora e o Geolab Esalq/USP. O projeto reúne representantes da sociedade civil, da indústria, finanças, governo, pesquisa, trabalhadores e produtores para dialogar e buscar convergência para a construção de soluções para o sistema agroalimentar brasileiro.

SERVIÇO:
Imaflora na Conferência Ethos 360º

Painel: A potência da sociobiodiversidade: Povos da floresta e empresas unidos pela transparência e pela rastreabilidade para produzir cadeias virtuosas de valor
Quando: terça-feira, 3 de setembro, 17h - 18h

- Patrícia Cota Gomes – Gerente da Rede Origens Brasil®
- André Tabanez – Gerente regional de ingredientes da Firmenich
- Jeferson Straatmann – Assessor de arranjos locais produtivos
- Pedro Wickbold – Diretor de marketing da Wickbold
- Pedro Pereira – Extrativista da rede de cantinas da Terra do Meio - Xingu 

Painel: Caminhos para o ecossistema agroalimentar brasileiro
Quando: quarta-feira, 4 de setembro, 14h - 15h

- Denise Chaer –  Empreendedora social e diretora do Novos Urbanos
- Gabriela Kapim  – Nutricionista e apresentadora dos programas Socorro! Meus Filhos comem Mal e Socorro! Meus pais comem mal do GNT
- Arnaldo Brito – Representante da Contag
- Katielle Haffner – Gerente sênior de sustentabilidade e categoria na Coca-Cola
- Luís Fernando Guedes Pinto – Gerente de políticas públicas do Imaflora.

Onde:
Parque Ibirapuera – Portão 03
Piso Térreo + Mezanino do Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Pavilhão da Bienal)
Av. Pedro Alvares Cabral, S/N – São Paulo, Brasil
Inscrições para a imprensa:

Sobre o Imaflora

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola – Imaflora – é uma associação civil sem fins lucrativos, criada em 1995, que nasceu sob a premissa de que a melhor forma de conservar as florestas tropicais é dar a elas uma destinação econômica, associada a boas práticas de manejo e a uma gestão responsável dos recursos naturais.
Mais informações: www.imaflora.org

Sobre a Conferência Ethos 360º em São Paulo

Realizada desde 1998, a Conferência Ethos mantém a dinâmica 360º: palestras simultâneas acontecem num mesmo espaço, sem divisórias ou isolamento acústico e fones de ouvido permitem que os participantes possam migrar de um painel para outro e alternar a audiência conforme o interesse e, assim, aproveitar melhor os diálogos.

A Conferência Ethos privilegia um espaço integrado para o desenvolvimento de carreiras e negócios. Gestores, empreendedores e especialistas de diferentes setores estarão reunidos para debater alternativas em prol da agenda dos negócios e do desenvolvimento sustentável do país.


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Imaflora e S&A Carbon anunciam parceria para a realização de auditorias em projetos de carbono

Bruno Brazil, do Imaflora, realizando auditoria



O Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) e a organização norte-americana S&A Carbon anunciaram, esta semana, uma nova parceria para fornecer serviços de validação e verificação de projetos de carbono. A novidade aumentará o alcance territorial dos serviços de auditoria das duas organizações, atendendo projetos que operam no mercado voluntário de carbono em todo o mundo.

Atualmente, o Imaflora tem em seu portfólio 41 auditorias de validação e verificação nos padrões VCS (Verified Carbon Standard) e CCB (Clima, Comunidade e Biodiversidade), realizadas em mais de 16 projetos de carbono no Brasil nos últimos 10 anos, sendo um dos organismos de validação e verificação mais experientes da América Latina. A equipe da S&A Carbon tem uma vasta experiência de trabalho no mercado voluntário, incluindo projetos de REDD+ (Emissões Reduzidas por Desmatamento e Degradação Florestal), AR (Afforestation, Reforestation) e IFM (Improved Forest Management), que atendem aos padrões VCS, CCB, CAR (Climate Action Reserve) e GSF (Gold Standard Foundation). Até o momento, suas atividades se concentram no mercado californiano.

"A S&A tem procurado alavancar a experiência da sua equipe para ampliar e diversificar os seus serviços para o mercado voluntário", afirma Kyle Silon, da S&A. "A parceria com um auditor de carbono experiente e respeitado, como o Imaflora, acrescenta uma incrível quantidade de conhecimento à nossa equipe, deixando-nos bem posicionados para atender aos clientes do mercado voluntário", acrescenta.

Segundo o último relatório State of Voluntary Carbon Markets, 63,4 milhões de toneladas de carbono foram transacionadas no âmbito do mercado voluntário em 2016, gerando uma receita equivalente a US$ 191,3 milhões. Deste valor, US$ 67 milhões foram endereçados a projetos de base florestal. Esse recurso vem sendo utilizado para a redução do desmatamento e restauração florestal, com a promoção de benefícios adicionais às comunidades tradicionais e com a conservação da biodiversidade.

O Imaflora é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que atua através da certificação, da validação e verificação de projetos de carbono e do suporte ao desenvolvimento, implementação e monitoramento de projetos e políticas públicas nesse tema. Seu propósito é incentivar e promover mudanças nos setores florestal e agropecuário, visando a conservação, o uso sustentável dos recursos naturais e a geração de benefícios sociais. Sua atuação no mercado de carbono é focada em aumentar a efetividade dos mecanismos criados para a redução das emissões de GEE (gases causadores do efeito estufa) e a remoção de carbono atmosférico. Hoje, o Imaflora trabalha diretamente com 1.258 empresas e produtores do setor florestal, agropecuário e de carbono. Seus projetos de carbono validados e verificados no Brasil abrangem 757,7 mil hectares e somam 17 milhões de toneladas de CO2 (dióxido de carbono) de GEE evitadas ou removidas nos últimos 10 anos.

Sobre a S&A Carbon

A S&A Carbon é líder em verificações de projetos de carbono no mercado da Califórnia, tendo foco em projetos de compensação florestal. Sua equipe é composta por especialistas em mensuração, inventário e manejo florestal, geoprocessamento, análise e modelagem espacial, análise financeira e sistemas de informação. A S&A é credenciada pelo American National Standards Institute (ANSI) para a validação e verificação de projetos AFOLU (ID de Credenciamento 1207), bem como pelo California Air Resources Board (H2-19-067). Mais informações: https://saacarbon.com/


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Imaflora discutirá mudança climática e políticas para uso da terra em Salvador esta semana

O Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola) participará da Semana do Clima de Salvador (Climate Week), conferência internacional que antecipará a COP25 (Conferência sobre Mudança Climática), da ONU (Organização das Nações Unidas), e reunirá representantes da América Latina e Caribe no Brasil esta semana. O encontro acontecerá no Salvador Hall, entre os dias 19 e 23.

Na quinta-feira, 22, às 12h30, Imaflora e Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia) lançarão, durante a sessão "Estruturando uma agenda positiva para a floresta e a agricultura: o papel do setor privado", o Programa I+, que reunirá uma série de serviços nas áreas de clima, monitoramento socioeconômico de cadeias de valor e desenvolvimento territorial, gerando conhecimento, informação de alta qualidade e proporcionando a medição de impactos para investidores, empresas, desenvolvedores e gestores de projetos públicos e privados.

A sessão contará com a presença de Marina Piatto, gerente de clima e cadeias agropecuárias do Imaflora, Talia Bonfante, coordenadora de novos negócios do Idesam, Keyvan Macedo, gerente de sustentabilidade da Natura, e Débora Ferreira, diretora jurídica da Radar. A mesa ainda contará com mediação do coordenador de clima e cadeias agropecuárias do Imaflora, Ciniro Costa Junior. O evento abordará novos métodos para medir os impactos positivos dos investimentos e modelos de negócios relacionados ao uso da terra no Brasil, além de apresentar inovações nas cadeias de valor agrícolas e florestais lideradas por empresas e comunidades locais.

Atualmente, o Imaflora trabalha diretamente com 1.258 empresas e produtores do setor florestal, agropecuário e de carbono. Seus projetos de carbono validados e verificados no Brasil abrangem 757,7 mil hectares e somam 17 milhões de toneladas de CO2 de gases do efeito estufa evitadas ou removidas nos últimos 10 anos.

Para saber mais sobre a Semana do Clima, acesse: www.regionalclimateweeks.org



sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Destacando as origens dos produtos florestais indígenas do Brasil

Patrícia Cota Gomes e Luiz Brasi Filho.

Foto: Andre Giovani


Existem aproximadamente 305 etnias indígenas no Brasil, que falam mais de 270 línguas, além de centenas de comunidades extrativistas e quilombolas que dependem diretamente das florestas e outros ecossistemas nativos para a sua sobrevivência.

Esses povos possuem relações intrínsecas com a floresta, e seus sistemas tradicionais de manejo geralmente está associado ao uso de múltiplos produtos, reduzindo a pressão sob espécies, além de serem realizados em escala e intensidade com baixo impacto à floresta e sua biodiversidade.

Essas populações vêm ainda contribuindo, ao longo de gerações com o processo de seleção e melhoramento vegetal, acumulando um vasto conhecimento sobre manejo, reprodução e utilização dos ativos da biodiversidade de forma sustentável. Alguns destes ativos são bastante conhecidos dentro e fora do Brasil, e dependem diretamente da floresta em pé e da forma de vida e manejo realizado por essas populações. É o caso da castanha do Brasil, produto coletado manualmente pelos povos da floresta. E do açaí, que ganhou o mundo por suas características antioxidantes, se firmando como um produto de grande relevância econômica para os estados produtores do norte do país, como  é o caso do Pará por exemplo. E há ainda muitos outros, menos conhecidos como os óleos de copaíba e andiroba, utilizados largamente na indústria de cosméticos: e a semente de cumaru, responsável pelo aroma que se assemelha ao da baunilha, utilizado na alta gastronomia e também na indústria de perfumaria. Esses são apenas alguns dos exemplos de como o extrativismo destes produtos e manejados por estas populações contribuem no desenvolvimento de uma nova economia que alia a geração de renda e conservação florestal.

Contudo, consumidores no mundo todo praticamente desconhecem a origem destes produtos florestais, bem como as formas de manejo e coleta. Na maioria dos casos as cadeias de valor de produtos da floresta são informais, com participação de diversos intermediários, que geralmente remuneram muito mal os coletores. Esse desconhecimento e a ausência de mecanismos de rastreabilidade, transparência e origem da produção, colocam essas populações na escuridão, bem como suas histórias, formas de vida e manejo que passam a não são ser reconhecidas e tampouco valorizadas pelos consumidores.

Aliado a esse desafio, outro fator preocupante é o aumento contínuo da pressão e desmatamento na Amazônia especialmente em terras indígenas e Unidades de Conservação, ameaçando as populações tradicionais e indígenas, seu modo de vida e a biodiversidade brasileira. 

Então como conectar a população urbana com os povos da floresta de forma a reconhecer e valorizar o papel fundamental desses povos para a conservação da biodiversidade e manutenção da floresta em pé?

Por meio de iniciativas e redes multisetoriais como o Origens Brasil, que é uma rede de articulação (formada por populações tradicionais, povos indígenas, organizações da sociedade civil, empresas e consumidores), lançada em 2016 pelo Imaflora e ISA, que defende caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia a partir da valorização das atividades econômicas das populações tradicionais e povos indígenas, suas culturas e modo de vida. Os pilares do Origens Brasil® são a articulação em rede, tecnologia e comunicação - aproximando o produtor de empresas e do mercado consumidor, que por meio de um qr- code, que é a própria logomarca do Origens Brasil, provoca uma viagem do consumidor ao território de origem do produto, as histórias dos coletores, sua culturas e muito mais. Uma conexão necessária de quem compra e consome na cidade com quem produz e conserva na floresta.

Neste ano o Origens Brasil recebeu o prêmio da FAO/ONU como inovação para alimentação e agricultura sustentáveis, veja aqui. A iniciativa possui mais de 1.500 produtores membros, de 40 diferentes etnias indígenas, além de quilombolas e extrativistas, em aproximadamente 90 milhões de hectares, comercializando de forma ética com 15 empresas e impactando positivamente aproximadamente esses produtores e suas famílias.

Esse é apenas um dos muitos exemplos de iniciativas na Amazônia que tem o potencial  de olhar de forma estratégica para os povos da floresta e para nossa biodiversidade e ajudar na construção de uma nova economia descarbonizada, mais inclusiva e justa, que gera riqueza e conserva, ajudando a manter de pé um dos nossos maiores patrimônios da humanidade, nossa Amazônia.

*Patrícia Cota Gomes – Engenheira florestal e mestre em manejo de florestas tropicais. Gerente no Imaflora onde coordena a iniciativa Origens Brasil®, que visa promover novos modelos de negócios na Amazônia, fomentando a transparência e valorização no mercado de produtos de populações tradicionais e povos indígenas.

** Luiz Brasi Filho – Gestor ambiental e MBA em gestão de negócios socioambientais.
Coordenador de Mercado no Imaflora/Origens Brasil e que visa promover novos modelos de negócios na Amazônia, fomentando a transparência e valorização no mercado de produtos de populações tradicionais e povos indígenas.